NBW 063 – EXTRA – 18/08/2015

A gente confessa, não iríamos gravar nessa semana. Ulissão está de férias, como dissemos na edição 063, Baratão e Andrézão – ambos – correndo com o trabalho. Mas eis que no domingo, às 22 horas, chega uma mensagem do Baratinha no grupo do NBW no zap zap implorando por uma gravação. Ele disse: “então, eu fiz a cagada de ir na manifestação. Caralho, eu preciso gravar um podcast. Pela minha sanidade mental”. Amigos, que somos, não deixaríamos o baratinha endoidecer. Gravamos, pois!

Nessa edição EXTRA, quem comanda os dados do tabuleiro do WAR é o André. Mas o Ulisses, mesmo de férias, mandou seu pitaco por audio. Está imperdível!

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  • Rodrigo Bamondes

    Olá de novo galera do NBW. Resolvi ir a manifestação pró-governo e contra o ajuste fiscal de hoje 20/08/2015. e tirei fotos dela e acompanhei alguns discursos. Só aguentei até começar o discurso de ódio racial dizendo que nessa manifestação não tinha “uma cor só” como na outra. O local estava bem vazio e o prefeito mandou fechar várias quadras da avenida Paulista desnecessariamente. Eu tirei as fotos do meu celular, se precisarem podem usar elas p/ que quiserem.

    • nbwadmin

      Obrigado, Rodrigo! Muito bom você ter ido ontem, é sempre importante ouvir os dois lados. Só assim conseguimos tirar nossas próprias conclusões.

    • Luiz Jordão

      Mas esse “uma cor só” seria racial ou é sobre o vermelho? Não que eu duvide do ódio hipocrita dentro do PT.

    • Barata

      Opa Rodrigo, acho essas pseudo manifestacoes ridiculas…. Nao me interessam muito, a manifestacao que eu fui ver me interessa porque acho que tem potencial e ‘e representativa….

  • Karl Milla

    Caros Senhores da Guerra!

    Aqui vos fala um dos milhões que defende essa ideia “ridícula” (como diz o Ulisses) de finalmente seguirmos as leis no Brasil.

    Mas vamos começar pelo começo.

    Essa discussão do impeachment, a meu ver, tem dois aspectos que costumam ser misturados e confundidos, inclusive no NBW.

    O primeiro é o aspecto político/econômico do processo, que é o argumento mais usado por aqueles que se colocam contra. É um aspecto, sem dúvida, importantíssimo. Nesse ponto concordo quase completamente com todos os argumentos colocados. Creio, assim como vocês, que um impeachment não ajudaria em nada a situação econômica do país e que poderia criar um vácuo político no qual qualquer coisa seria possível. Poderíamos acabar, por exemplo, tendo um presidente da República sem apoio ou base política, rechaçado por setores do próprio partido, sem muitos aliados no legislativo, com grandes dificuldades para implementar as medidas econômicas necessárias, extremamente impopular, suspeito de facilitar ou até participar de atos de corrupção enormes. Seria um desastre (alerta de ironia)!

    Porém o mais importante para mim é o aspecto legal. Não tenho dúvidas (e acho difícil que alguém que acompanha minimamente os noticiários discorde) que nossa presidente Dilma é culpada em no mínimo um dos crimes de responsabilidade previstos no processo de impeachment. Cito especialmente os crimes contra a probidade administrativa, contra a lei orçamentária e contra a guarda e o legal emprego dos dinheiros públicos. É verdade que ainda não há provas conclusivas do envolvimento direto da pessoa da presidente, mas reitero: acho impossível que ela seja inocente. Portanto, não me sinto nem um pouco constrangido em pedir que se continue a investigação de forma implacável e que se use todo o rigor da lei suprema do país para punir todas as pessoas públicas e privadas envolvidas. Penso que a manutenção da impunidade no Brasil é extremamente mais prejudicial do que qualquer consequência que venha a ocorrer em virtude do processo de impeachment.

    Dito isso, vamos agora às críticas feitas à manifestação do dia 16 que foram extremamente injustas e preconceituosas. Não participei pois estava em viagem, mas acompanhei o quanto pude pelos sites de notícia e pelas redes sociais. Foi um movimento, assim como os outros, de muitas caras, pedidos e opiniões cujo aspecto unificador foi justamente o descontentamento extremo com o atual governo na figura da presidente. Mas essa é, em todo o mundo, justamente a característica de todos os protestos realmente populares, sem uma força partidária ou ideológica forte por trás. É tão fácil quanto injusto e ignorante escolher algumas das reivindicações mais absurdas e ridicularizá-las com o objetivo de desmoralizar todo o protesto, desrespeitando a grande maioria dos participantes que tem motivos de sobra para se indignar e cobrar soluções. A função de discutir, avaliar e implementar essas medidas, e também de filtrar o que cabe e o que não cabe na situação atual, é das instituições democráticas, não dos manifestantes.

    Me preocupa, porém, que um Podcast sobre política faça um programa especial para essencialmente criticar os protestos pacíficos e democráticos do dia 16 e não é capaz de citar o pronunciamento do presidente da CUT, ocorrido no dia 14, no qual, em ato oficial e imbuído de seu posto, conclama os “companheiros” à luta armada para defender a presidente. Essa não é a primeira e nem será a última declaração de um líder “social” incitando os seus a usarem de violência contra os críticos ao governo. E, antes que me critiquem, não, eu não acho que isso é o equivalente a alguns gatos pingados pedirem intervenção militar. Seria o equivalente se a ameaça de intervenção militar tivesse partido de líderes das forças armadas, o que não ocorreu e, espero, nem irá ocorrer no Brasil.

    Em tempo, decidi deliberadamente ignorar as críticas preconceituosas e descabidas aos aspectos “raciais” e “sociais” dos manifestantes, expressas no Podcast e também na capa do post por considerá-las indignas, irrelevantes e anti-democráticas.

    Abraços.

    • Ulisses Neto

      Oi, Karl! Muito obrigado mais uma vez pela mensagem e pelas críticas. Entendo a sua posição e respeito o fato de se pedir o fim da impunidade no país, o que ao meu ver começou com este governo se considerarmos que o Jose Dirceu, uma vez tido como o ‘primeiro-ministro’ do Brasil e homem poderosíssimo do governo, foi preso DUAS vezes.

      Da forma como você coloca a sua defesa do impeachment, ela é, sim, bastante coesa e clara. Acontece que – assim como qualquer um que acompanhe o noticiário com o mínimo de análise crítica – sabemos muito bem qual é a motivação política dessa ideia no Congresso, e como ela é promovida por adversários do governo com a pura intenção de se beneficiar do momento frágil que esta administração incompetente vive.

      Aécio, FHC, Paulinho da Força, Cassio Cunha Lima, Gilmar Mendes e cia não tem a menor intenção de acabar com impunidade alguma. Se tivessem, estariam clamando pela saída do Eduardo Cunha. Se tivessem, não teriam mantido no cargo um procurador-geral que ignorou todas as provas cabais de mensalão na compra de votos para implementar a reeleição nos cargos do executivo. E por aí vai…

      Sim, uma hora a impunidade tem que acabar e acho que este governo está permitindo isso. E, feita uma análise justa e correta da culpabilidade da Dilma, ela terá que pagar também. Só que este processo ainda nem começou.

      Sobre os protestos, mais uma vez, entendo a sua posição porque ela é colocada de forma clara e coesa. Infelizmente, você é a exceção à regra. Caso não tenha visto, a última pesquisa IBOPE feita na manifestação passada mostra que 63% dos participantes entrevistados pediam o impeachment da Dilma ou porque a economia vai mal, ou porque não concordam com a forma como ela está administrando o país. Por isso, chamo a ideia do impeachment de ridícula!

      Finalmente, sobre a CUT, a representatividade dela é perto de zero e por isso entendo o fato da declaração imbecil dada por aquele sujeito ter sido peremptoriamente ignorada na última edição. E também não acho que seja o equivalente aos que pedem intervenção militar – até porque eles não são tão poucos assim. Seria o equivalente se fossem várias vozes falando sobre a necessidade de se recorrer às armas, e não apenas de um único sindicalista ‘aloprado’ para utilizar um termo que já esteve em voga tempos atrás.

      Grande abraço e muito obrigado por fomentar o debate!

      • Karl Milla

        Prezado Ulisses,

        Não compro a ideia de que o governo do PT é responsável, nem mesmo em parte, pela aparente diminuição da impunidade com os processos recentes, assim como sei bem que também não inventou a corrupção no Brasil. Na minha opinião os casos de corrupção que vieram à tona desde o mensalão e as (poucas) condenações que houveram são devidos a instituições mais fortes, especialmente polícia, imprensa e justiça (apesar das diversas tentativas de cerceamento e aparelhamento feitas constantemente pelos governos recentes), e devido às proporções assombrosas e inéditas que tais organizações criminais tomaram na busca pelo poder.

        Também não nutro ilusões que, em algum lugar do mundo, políticos possam ser levados a agir em benefício do país e sua população se isso for contra seus próprios interesses e projetos pessoais. Mas tenho convicção que, caso esse processo de impeachment vingue, todo futuro presidente do Brasil (assim como qualquer ocupante de cargo eletivo) ficaria um pouco mais receoso em praticar, promover ou ser conivente com ilegalidades e manipulações. Uma coisa é conseguir a renúncia de um presidente sem base política como Collor (lembrando que, do ponto de vista estritamente jurídico, ele foi deposto sem provas). Outra é fazer isso com a representante de um dos maiores partidos do país, aliada de uma base política gigantesca. Isso há de trazer algum respeito pelas leis. (Comentário à parte: quanto mais centralizado e poderoso é um estado, mais ele vai atrair demagogos e gananciosos por poder, e estes sempre terão uma vantagem competitiva enorme sobre os políticos sinceros, honestos e bem-intencionados: não estão presos à coerência e à verdade. É um dos principais motivos porque defendo menos estado e descentralização.)

        Quanto aos motivos pelos quais os manifestantes pedem impeachment, não seria nem um pouco difícil associar a péssima situação econômica e a insatisfação quanto à administração com crimes contra a probidade administrativa, contra a lei orçamentária e contra a guarda e o legal emprego dos dinheiros públicos. Obviamente não é possível que se espere de uma multidão nas ruas um conhecimento econômico e jurídico a ponto de gerar grandes discussões técnicas. Provavelmente qualquer manifestação popular, no Brasil, geraria resultados de pesquisa semelhantes, se estas tivessem sido feitas.

        Espero sinceramente que você tenha razão com relação à irrelevância da fala do presidente da CUT. Mas ontem mesmo ocorreu uma invasão do MST a 100 km de onde eu moro em área de uma fundação de pesquisa agrícola (Fundação ABC), uma das entidades mais idôneas e importantes aqui do PR, talvez do Brasil e mantida por um grupo de cooperativas. Infelizmente aqui no interior esse tipo de violência é constante e tem foco político, já que o PR é governado pelo PSDB. Já tivemos de lidar com inúmeros casos desses aqui na região, não podendo contar nem com a polícia que, mesmo com mandato judicial de reintegração de posse, é impedida de agir contra esses “movimentos sociais” que usam da violência e da força para impor suas vontades.

        Abraços.

    • Barata

      Fala Sr. Karl! Eu nao tenho problema nenhum em um impeachment! Sobre oque eu falei no podcast sobre a manifestacao, so falei minha impressao. Em alguns momentos eu disse que nao andei por toda manifestacao e tentei deixar claro que fiquei mais pela parte mais caricata dele (essa parte nao era tao pequena assim) . Como disse no final deste epsodio, fiquei um pouco triste porque a levada desse evento me impede de colocar minha voz junto a ele. Procurei ativamente sinais de dialogo e de diferentes opinioes pela parte que andei e infelizmente achei poucos exemplos. Gostaria muito de ter visto uma manifestacao mais madura e com mais auto reflexao. Sobre a falta de diversidade, nao era nescesariamente a falta de uma minoria ou outra mas a uniformidade do tipo de pessoa… Isso, eu sei, ‘e meio subjetivo, mas como disse, estava falando sobre minha experiencia, e foi algo que me chamou bastante atencao….

      • Karl Milla

        Prezado Dr. Barata,
        Entendi que falava da sua experiência mas, mesmo assim, fiquei incomodado com a desqualificação dos protestos em virtude das características sociais ou culturais dos participantes. Devo lembrar que a grande maioria dos brasileiros é sim de classe média, se considera branca, é heterossexual e tem em torno de 30 anos. Possivelmente esse perfil é mais representativo do povo brasileiro do que a parada gay, a marcha para jesus ou os protestos do MST. Não tenho dúvidas de que as manifestações do dia 16, assim como todas as outras, abrigavam toda a diversidade natural do Brasil e ninguém se sentiu rejeitado por ser de uma ou outra minoria (exceto petistas e afins). Mas são minorias e, em uma amostragem normal, não se sobressairão, até porque não era o objetivo.
        Outro fator que acho determinante para os protestos atuais é o nível de informação que o indivíduo tem. A discussão de Lava-Jato, Petrolão, Zelotes, impeachment exige um mínimo grau educacional e de discernimento (e, em alguns casos, bota “mínimo” nisso, como foi muito bem observado) aos quais uma grande parcela da população não teve acesso.
        Minha impressão e meu resumo desse movimento é que essas pessoas estão cansadas de serem enganadas, seja por estelionato eleitoral, corrupção, má administração pública, incompetência ou demagogia e cada uma tenta expressar essa indignação da sua maneira, sem uma clara ideia de como resolver tudo o que está aí, até porque não temos realmente alternativas viáveis no Brasil.

        Abraços.

        PS.: citei também a foto da capa do post que, a meu ver (e os marqueteiros e jornalistas de plantão podem opinar melhor), pinta um quadro de luta de classes e de exclusão social sobre os protestos que não é verdadeiro e que só serve de defesa aos corruptos da vez. Além de ser uma imagem injusta e incorreta dos acontecimentos, ela retrata na verdade os protestos de março em Santa Maria (RS), não de agosto em São Paulo.

        • Ulisses Neto

          Pois é, Karl. Acho que a grande divergência entra as nossas opiniões mora nesta percepção sobre quem está nas manifestações/pede o impeachment. Não acredito nem por um segundo que os participantes das manifestações – em vias gerais, evidente – estejam “cansadas de serem enganadas, seja por estelionato eleitoral, corrupção, má administração pública, incompetência ou demagogia”. Fosse isso, o resultado da eleição teria sido bem diferente, não só no Planalto, como nos Bandeirantes, no Iguaçu, no Guanabara… O que existe é uma massa – que sempre serviu para manobras mirabolantes – reclamando da presidente por causa de uma conjuntura econômica desfavorável e de um governo bastante ineficiente e incompetente. Essa é a minha percepção. Problemas extremos como falta d’água, obras intermináveis, escândalos de corrupção, nunca tiraram um voto sequer contra o governo Alckmin, ou levaram alguém a hostilizá-lo na rua. Algo que, aliás, nem o maior bandido da política paulista, Dr. Paulo, enfrentou até hoje. Gostaria de concordar com a sua visão, porque ela certamente indicaria um caminho melhor para a nação. Mas, infelizmente, não é isso que eu vejo ocorrendo… Abração!

          • Karl Milla

            Diferenças de percepção realmente não serão resolvidas aqui. E talvez eu esteja sendo ingênuo e minha percepção tenha sido distorcida por conhecer diversas pessoas que foram à manifestação levadas por esses sentimentos.
            Porém acredito que há uma diferença absurda entre os casos citados e os 13 anos de ações criminosas e coordenadas que essa quadrilha do PT e aliados implementaram.
            Não me entenda mal, não estou dizendo que um grupo político é mais honesto que outro. A diferença, a meu ver, é de método, determinação, organização e escala.
            Isso sozinho já justifica uma indignação direcionada.
            A eleição não pode refletir esses sentimentos pois grande parte das constatações e das consequências veio depois, como você muito bem sabe.
            Abraços.