NBW065 – Reforma Política, PMDB, Partido Novo, Trump e o porquinho do Cameron 22/09/2015

cameron

É meus amigos, enquanto o primeiro ministro do Reino Unido, David Cameron, se explica sobre as brincadeiras com seu porquinho na época da faculdade, a presidenta Dilma e o PMDB continuam se digladiando por aqui. E o dólar subindo, subindo, subindo…

Nesta edição do podcast NBW falamos da mini-reforma política que está no gabinete da presidenta aguardando sua assinatura, da decisão do STF proibindo doações de empresas para campanhas, da nova sinalização do PMDB de rompimento com o governo e da criação do Partido Novo. Ufa!

Ah, tem mais: na editoria internacional falamos das peripécias do Donald Trump nas primárias republicanas, nos EUA, e da brincadeira de David Cameron durante o trote da faculdade. Um conselho, amigos, o mundo gira e a lusitana roda…cuidado com o coleguinha que você sacaneou na época da faculdade.

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  • João Martins

    Que isso Barata!
    Tava com o comentário quase pronto pra falar sobre o primeiro episódio de Black Mirror.
    Quando li sobre o ocorrido com o David Cameron, sai até pesquisando pra ver se o episódio era semi biográfico e encontrei o criador/produtor falando que também ficou surpreso. Depois pensei… “Vai ver é um costume inglês essa relação com porco” hahaha

    Sobre Black Mirror, reitero o que você disse: “Essa série é foda. Assiste!”.

    • Henrique Tavares

      Assim que falaram do tal boato, vim aqui nos comentários pra comentar exatamente isso assim que o podcast terminasse aqui haha

      • Ulisses Neto

        pelo jeito só eu não tinha visto Black Mirror! O Charlie Brooker é foda. As colunas dele no Guardian são sensacionais… Viu a resposta que ele deu: The first question people were asking me was, Did I know anything about it? And the answer is no, absolutely not. I probably wouldn’t have bothered writing an episode of a fictional comedy-drama if I’d known. I’d have been running around screaming it into traffic. It’s a complete coincidence, albeit a quite bizarre one.

    • Ulisses Neto

      comecei a assistir tbm e achei top! O episódio mais foda pra mim foi aquele do casal em conflito por causa do aparelho atrás da orelha…

      • Henrique Tavares

        Acho que é meu favorito também. Melhor exemplo do uso que acabam fazendo da tecnologia.

  • Rodrigo Bamondes

    Olá pessoal, muito boas as informações sobre as “castas” que ainda existem no Reino Unido, isso é para vermos que em algumas questões o Brasil está um pouco menos pior que países ditos de “primeiro mundo”. Aproveitando o contato, vocês conhecem algum podcast nacional que fale de política sob o ponto de vista de esquerda? Gosto de ouvir diferentes correntes de pensamento, e acredito que falte algum programa que defenda isso, até para eu indicar para meus amigos de esquerda. No mais,sucesso aí e vamos nos segurar que ainda não chegamos ao fundo dessa crise de confiança.

    • Karl Milla

      Caro Rodrigo, desculpe a minha intromissão, mas pelo seu comentário parece que você acredita que o NBW seria um Podcast “de direita”. Se for isso mesmo, permita-me discordar respeitosamente. André, Barata e Ulisses me corrijam se eu falar alguma bobagem, mas creio que a opinião expressa aqui é muito equilibrada e poderia facilmente ser classificada de “centro” (com leves movimentos para um ou outro lado).
      Sugiro o Programa Contexto (http://www.institutoliberal.org.br/blog/programa-contexto/) como um podcast com claro viés conservador / liberal na classificação européia (ou “de direita”).
      O instituto Liberal (http://www.institutoliberal.org.br/) e o Instituto Ludwig von Mises Brasil (http://www.mises.org.br/) tem outros podcasts e artigos na linha liberal.

      Vou deixar outros sugerirem podcasts com viés progressista / socialista (“de esquerda”). Pesssoalmente recomendo distância, hehehe… Brincadeiras à parte, sem dúvida é saudável ouvir opiniões divergentes, mas também é igualmente saudável não ficar em cima do muro.

      Abraços.

      • Rodrigo Bamondes

        Karl, eu sou liberal, mas escuto outras correntes de pensamento. Leio e escuto o Mises e pensadores liberais. Como eu quero expandir os ouvintes da mídia podcast, preciso encontrar bons podcasts com linha de pensamento de esquerda p/ apresentar aos meus conhecidos e amigos que são de esquerda.

        • Karl Milla

          Ok, perfeito, desculpe a intromissão. Abraços.

      • Ulisses Neto

        hahahahahaha boa, Karl. Mas eu, pessoalmente, também recomendo distância desses podcasts do mises. Pessoalmente… Não estou dizendo que são ruins, por favor, só não são do meu gosto!

    • Thiago Santos

      Cara, quando o anticast, o mamilos e o mupoca – lá do b9 – falam de política sempre tem representatividade de esquerda, mas o tema principal desses podcasts não é política em si. Acho que o canal fala zamiliano do youtube toca em política o viés também é de esquerda, mas a periodicidade é meio…

      Creio que o NBW é o único podcast cujo tema principal é política, pelo menos nunca vi outro que não esteja ligado a jornais.

      • Ulisses Neto

        é verdade, não acompanho regularmente estes podcasts, mas as edições que ouvi do mamilos tinham debates bem bacanas!

    • Ulisses Neto

      Fala, Rodrigo! Cara, por favor não me leve a mal, nem considere isso como uma declaração esnobe ou arrogante. Mas a verdade é que ouço bem pouco podcast brasileiro. Costumo ficar mais focado nos gringos, pq tem tanta coisa que é difícil até de acompanhar. Pra citar apenas um que gosto, pq traz os temas mais relevantes da semana e tals, é o Guardian Politics Weekly http://www.theguardian.com/politics/audio/2015/sep/24/liberal-democrats-pig-gate-politics-weekly-podcast Outro bem bom, que o Karl também curte, é o The Gist, da Slate, http://www.slate.com/articles/podcasts/gist.html que tem várias discussões boas de política. Abração!

      • Rodrigo Bamondes

        Valeu pelas dicas, acho importante achar gente que defenda a linha de pensamento de esquerda usando argumentos. 99% de tudo o que leio ou vejo dos que se dizem de esquerda no Brasil é um misto de achismo, bravata e falta de conhecimento. São argumentos que não resistem a uma busca no google de primeira página com 2 palavras-chaves. Bem, é isso, um grande abraço a todos e sucesso.

  • E aí pessoal blz ?
    Vim aqui comentar brevemente sobre o partido novo. Pelo que eu NÃO sei esse é um partido que reúne pessoas que seguem a doutrina Libertária.
    Eles já tinha tentado criar o LIBER, mas não deu muito certo. Também pudera, basicamente Libertário é o cara cuja filosofia de vida é “cada um por si o o resto que se foda”, então ´da pra imaginar que esse tipo gente tem muita dificuldade de trabalhar em equipe de chegar ‘a algum tipo de consenso né ?
    Pessoalmente acredito que esse partido não vai muito longe. Pelo menos não até que ocorra uma catástrofe que nos leva ao mundo de MAD MAX que é o mundo onde esse tipo de gente sonha em viver rsrsrs
    Até a próxima !!!

    • Karl Milla

      O Partino NOVO é Liberal, não libertário. É muito mais inspirado em Milton Friedman e Adam Smith do que em Mises.
      De resto, seus comentários só evidenciam sua completa falta de conhecimento sobre liberalismo, capitalismo e economia em geral.
      Sugiro fortemente ler a bibliografia mínima sugerida ou, ao menos, assistir aos vídeos indicados antes de dar novas “caneladas”.

      • Foi o que eu disse PELO QUE EU NÃO SEI…
        Tudo que ouvi foram boatos e comentários então realmente pode ser que eu esteja errado sobre o novo.
        Agora sobre Liberalismo, eu prefiro seguir o pensamento de John Rawls e Norberto Bobbio conforme a bibliografia e vídeos que já indiquei e que pelo visto o meu amigo Karl Milla ainda não assistiu nem leu.
        Ou leu e não gostou do que os grandes pensadores liberais disseram e escrevam.
        Então deixo aqui as dicas
        MOREIRA BOBBIO – Liberalismo e Democracia.
        JOHN RAWLS – Uma Teoria sobre a Justiça e Justiça Como Equidade.

        • Karl Milla

          Não quero transformar esse espaço de comentários em mais uma discussão sobre capitalismo e afins, mas as obras e autores que você cita são na verdade social-liberais, isto é, socialistas que aceitam alguns aspectos do liberalismo em suas teorias.
          Podemos discutir minha opinião sobre essas ideias em outro forum, mas continuo insistindo que tente conhecer os pensadores realmente Liberais a fim de facilitar a conversa.

          • Me desculpe mas não posso concordar co você. Pelo menos não academicamente falando, uma vez que todas as referencias acadêmicas aos autores que citei apontam os mesmos como pensadores do Lieralismos. Nem mesmo como Social-Democratas eles são citados, então na sua concepção eles podem ser “Social-Liberais” ainda qua tal definição não exista na doutrina majoritária, mas o fato é que do ponto de vista das Ciências Políticas eles são sim pensadores Liberais.

          • Icaro Kossmann

            Pergunta pra Karl e Etiane, qual a diferença entre Liberal e Libertário???
            Pelo political compass sou ‘libertário de esquerda’. No meu entendimento, libertário é o antagônico do autoritário na questão dos direitos civis e na interferência do estado na vida pessoal. Esquerda e direita que são questões de interferência ou não do estado na economia. Mas isso é como eu entendo, e uso o termo libertário para expressar liberdade pessoal, como indivíduo e direita para expressar liberdade econômica. No caso, um cara de direita autoritário é conservador, porém você pode ser de direita e ser a favor de total liberdade pessoal. Um problema que vejo muito, é o caso de pessoas que são a favor de liberdades civis, por exemplo: casamento gay, legalização de drogas e do aborto sendo taxadas como esquerdistas, quando ao meu ver isso nada tem a ver com esquerda e direita, já que não se refere a economia. E pelo policalcompass, se não me engano, o Friedman é ‘libertário de direita, defende tanto liberdade econômica quanto pessoal. Mas nunca li nada dele.

          • A defesa do pensamento libertário vai ao encontro das liberdades de mercado e restrições de políticas sociais sob responsabilidade do Estado. Em consequência, opõem-se às tributações redistributivas que dão viabilizações a uma teoria liberal de igualdade. Pode-se dizer, de forma geral, que as diferenças entre os libertários e os liberais iniciam pelo seguinte fundamento: enquanto os liberais corroboram com a conciliação dos valores políticos de liberdade e igualdade, os libertários defendem como valor supremo a liberdade.

            A defesa dos libertários é representada pelo mercado livre e alegam, eles, que qualquer tributação, mesmo que vise a redistribuição para beneficiar os menos favorecidos é injusta, sendo uma violação dos direitos do cidadão. Seus argumentos afirmam que as pessoas têm direitos de querer dispor de suas propriedades e serviços como quiserem, ou seja, livremente. Mesmo que a intenção tenha por pretensão aumentar a eficiência; o Estado não pode intervir no mercado. A interferência é vista como uma violação dos direitos morais básicos dos cidadãos, e não como uma prática governamental preocupada com uma distribuição de renda mais justa.

            Para os pensadores LIBERAIS (como John Rawls e Ronald Dowrkin) nenhum governo é legítimo a menos que demonstre igual consideração pelo destino de todos os cidadãos sobre os quais firme seu domínio e aos quais reivindique fidelidade. A consideração igualitária é a virtude soberana da comunidade política – sem ela o governo não passa de tirania.

            Assim, o modelo de igual consideração terá dois princípios: o princípio da igual importância e o princípio da responsabilidade. Levando em conta o papel do governo, o princípio da igual importância irá requerer políticas públicas que garantam os destinos dos cidadãos e o princípio da responsabilidade que o governo interfira quando necessário.

            Ayn Rand e Robert Nozick (LIBERTÁRIOS) tecem uma teoria política estritamente vinculada ao mercado. O modelo é o capitalista e a virtude política é basicamente a liberdade. Entendem o homem como proprietários de si e por conseguinte, tudo o que for derivado de suas atividades, pertencem a ele por legitimidade. Rand elege o egoísmo como a virtude moral que traçará as bases para sua visão política, Nozick com o argumento de posse de si mesmo e valor intrínseco de cada um. Qualquer tributação, redistribuição ou tentativa de remanejamento de recursos para equiparar as diferenças sociais que são sensivelmente presentes (e intuitivamente levam a um estranhamento e tomados por injusto) são consideradas atitudes gravemente violadoras dos direitos individuais.

            Ressaltam que a liberdade conquistada tornam a todos individualmente responsáveis por si, independentemente de outros ou do Estado, devem preocupar-se e buscar por seus projetos de vida. A conquista de bens resultantes deste processo de autonomia é exclusivo do indivíduo. Imoral e injusta é cobrança de qualquer parcela destes bens para um projeto maior, público, intencionado um bem-estar social e coletivo, mesmo que este bem-estar possa em algum momento reverter-se diretamente ao indivíduo que cede.

            A diferença entre as tradições libertárias e liberais, parece, neste momento, estar concentrada em uma questão central e específica: a qual perspectiva entende o valor intrínseco de cada um. Nozick (e também Rand) entende que é violação deste valor cobrar taxas ou impostos. Dworkin, reconhece também a questão do valor intrínseco, porém parece que a emprega em sua teoria com mais propriedade. Ao eleger a igualdade como o critério de legitimidade para o exercício do poder político, pensando que todos merecem uma igual consideração e respeito por parte do Estado, está claramente reconhecendo o valor em si de cada um. Parte do pressuposto de que nem todas as pessoas são objetivamente iguais e não tem intenção de uma igualação social de recursos.

            Mas por reconhecer o valor pessoal dos cidadãos, respeitando as capacidades que são diferentes, entende que de alguma forma o Estado tem que ser capaz de oferecer uma forma de compensação às circunstancias que não dependem exclusivamente da livre vontade e escolha do agente.

            Considerar a sorte bruta representa uma tentativa de justificar a necessidade do Estado em oferecer uma forma de compensação àquele cidadão que faz parte de sua comunidade. Este reconhecimento, parece ser mais verdadeiramente justo a um reconhecimento de valor intrínseco de cada pessoa, que aquele que simplesmente deixa à própria sorte seus membros e à revelia de um mercado essencialmente capitalista, em que a preocupação central não é o bem-estar humano, mas o gerenciamento de capital.

            Por tudo isso é mais um pouco foi que eu disse e repito que o LIBERTARIANISMO é a Filosofia do CADA UM POR SI FODA-SE O RESTO.

            Bibliografia:

            ARNSPERGER, Christian. VAN PARIJS, Philippe. Ética Econômica e Social. São Paulo: Edições Loyola, 2003.
            DWORKIN, Ronald. A Virtude Soberana. São Paulo: Martins Fontes: 2005.
            FLICKINGER, Hans-Georg. Em nome da liberdade: elementos da crítica ao liberalismo contemporâneo. Porto Alegre:
            EDIPUCRS, 2003.
            GUEST, Stephen. Ronald Dworkin. Rio de Janeiro: Elsevier Editora Ltda, 2010.
            KYMLICKA, Will. Filosofia Política Contemporânea. São Paulo: Martins Fontes, 2006.
            NOZICK, Robert. Anarquia, Estado e Utopia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor Ltda, 1991.
            RAND, Ayn. A virtude do Egoísmo. Porto Alegre: Ed. Ortiz, 1991.
            VITA, Álvaro de. A justiça Igualitária e seus críticos. São Paulo: Editora Unesp, 2000.

          • Icaro Kossmann

            Muitíssimo obrigado Karl e Etiane pelas respostas, foram esclarecedoras e limparam um monte de duvidas, mas surgiram outras hahaha. Logo se os liberais ainda sim, veem a necessidade de um estado mínimo, pode se dizer que são de centro-direita? Em que se aproximam da Social-democracia?? Pode ser essa chamada de centro?? A partir de quem momento uma política econômica pode ser considerada de esquerda?
            E por ultimo, porque atribuí-se o título de ‘esquerdistas’ para indivíduos que pregam a liberdade de direitos civis? Não é a liberdade, mais próxima da direita, como a ideologia liberal que o Karl mencionou no final? Eu pessoalmente gosto de usar os termos esquerda e direita para interferência ou não do estado na economia e autoritário ou libertário para a interferência na vida particular do indivíduo.

          • Karl Milla

            “Esquerda” e “Direita” são termos inexatos e subjetivos, por isso controversos e evito usá-los em discussões para não promover mal-entendidos. Na minha opinião eles confundem mais do que esclarecem.
            A rigor, na definição acadêmica da palavra (como evidencia o texto do Márcio), tanto conservadores quanto social-democratas são “liberais” por defenderem em certa medida alguns princípios básicos do liberalismo como a propriedade privada e o livre mercado. Mas, a meu ver, ambos pecam ao limitarem as liberdades individuais em certos aspectos, uns no espectro moral e das liberdades civis, outros no aspecto econômico e das relações de livre comércio. Por esse motivo escolhi chamar de “Liberal” apenas quem realmente defende uma liberdade de escolha individual realmente grande e um Estado com funções quase exclusivas de Justiça e Polícia, sem atribuição redistributiva, social, moral nem de tutela.
            A defesa dos direitos civis tem sido uma forte bandeira das esquerdas no mundo principalmente por se contrapor claramente aos grupos conservadores e religiosos, dentre cujos objetivos geralmente está a imposição de uma suposta moral tradicional e superior a toda a sociedade. Porém essa defesa dos direitos civis pelas esquerdas, que preferem soluções centralizadas e estatais, tem gerado políticas claramente contrárias às liberdades individuais, como ações afirmativas (política de cotas, políticas fundiárias de índios e quilombolas), assistencialismos populistas (bolsa-família, cesta básica, programas habitacionais), leis trabalhistas (pró-sindicatos, mas contra os trabalhadores), e isso não só no Brasil como em praticamente todos os países de governos social-democratas ou trabalhistas.
            Usar “esquerda” e “direita” para definir o nível de interferência do estado na economia é extremamente inexato e, muitas vezes, simplesmente errado. Um governo democrata nos Estados Unidos é muito menos intervencionista do que um governo conservador na França. O partido conservador grego Nova Democracia é menos liberal do que a Nova Maioria (PDC + PRSD), coalizão que elegeu a esquerdista chilena Michelle Bachelet.
            Sobre seu uso dos termos esquerda, direita, autoritário e libertário, não acho correta a distinção que você está fazendo com relação à interferência na economia e na vida particular. Qualquer intervenção econômica praticada pelo estado afeta diretamente a vida e a liberdade dos indivíduos. Liberalismo pressupõe liberdade para fazer qualquer contrato, acordo, troca de livre e espontânea vontade com qualquer pessoa. Qualquer intervenção de qualquer natureza tira o caráter livre e espontâneo da equação. A economia nada mais é do que a soma de todas as nossas escolhas individuais, e não só as de consumo.

          • Karl Milla

            Fala, Ícaro! Tudo bem?

            A raiz de quase toda grande discussão acalorada e polêmica está na falta de uma conceituação básica inicial dos termos.

            Um político liberal nos Estados Unidos por exemplo defende quase o inverso de um liberal europeu e no meio acadêmico, como o Márcio muito bem ilustrou em sua “quase-tese” acima (ou abaixo), liberal tem um significado muito mais amplo do que o que eu estou acostumado. Daí tantos bate-bocas.

            Então vou começar pelo começo: quando uso a palavra “Liberal” ou “Liberalismo” estou me referindo a um conceito muito mais restrito do que o acadêmico (não estou fazendo julgamento de certo ou errado, estou só esclarecendo o que eu entendo pela palavra). No meu dicionário pessoal, ao lado da palavra “Liberal” poderia ter a fotografia de Milton Friedman, que admite um papel do estado apenas das áreas de Defesa Nacional, Justiça e Polícia. Além dessas, há uma certa margem para o estado em casos de efeitos negativos a terceiros como poluição, mas mesmo nesses defende soluções orientadas por mecanismos de livre mercado quando possível.

            Já “Libertário” para mim é tudo o que vai além desse conceito de “Liberal”, ou seja, que pretende tirar do estado qualquer uma as atribuições consideradas mínimas por Friedman. A ausência completa do estado, como defendido por alguns, eu prefiro chamar de “Anarco-capitalismo” e classifico pessoalmente como utopia, ao lado do comunismo.

            Ambos os conceitos porém, para mim, pressupõem total liberdade nas escolhas civis e morais (além das econômicas, obviamente), contanto que essas não tenham efeito sobre terceiros. No aborto, por exemplo, a discussão relevante nesse cenário não é um simples “contra” ou “a favor”, mas sim uma discussão profunda de quando começa a vida humana. Pessoalmente tenho minhas dúvidas mas penso que dentro do primeiro trimestre poderia ser liberado, sem problemas. Qualquer coisa além pede uma discussão mais aprofundada.

            Uma vez estabelecidos claramente os significados dos termos que estou usando, gostaria de observar que os pensadores citados pelo Márcio, apesar de acadêmica e filosoficamente classificados como “liberais”, entrariam na classificação político-econômica como “social-liberais” por defenderem medidas de tributações redistributivas, dando um grande peso à igualdade não como um ponto de partida mas como um objetivo a ser alcançado e reduzindo por consequencia o grau de liberdade dos indivíduos. E antes que o Márcio tenha um treco e escreva outra bíblia acadêmica, as ressalvas mais incisivas que Friedman e outros fazem a essas práticas não são tanto do ponto de vista moral (redução da liberdade), mas do ponto de vista prático. Vários estudos tem demonstrado o limitadíssimo efeito de tais medidas na real melhoria do padrão de vida da camada mais pobre e isso se deve a uma combinação de fatores muito bem delineados e explicados nos livros. Outro problema gerado por esse processo é que o estado, de posse desse poder de “redistribuir”, portanto com acesso a grandes fontes de recurso, acaba gerando sobre os indivíduos que o representam (políticos e funcionários públicos) muitos incentivos que são contraproducentes para a sociedade como populismos e corrupção. Mas o objetivo não é deixar os realmente necessitados desamparados, só que os liberais nesse caso contam com uma arma muito poderosa e eficiente: a solidariedade voluntária do ser humano. Há diversas comprovações que, em ambientes de maior liberdade e menos ação do estado, entidades assistenciais privadas e indivíduos benevolentes proliferam em grande número e com altíssima eficiência na aplicação correta dos recursos com baixíssimo desperdício.

            Em suma, enquanto progressistas querem um Estado forte porque não confiam nos indivíduos para tomarem suas próprias decisões econômicas, e conservadores querem um Estado forte porque não confiam nos indivíduos para tomarem suas próprias decisões morais, os liberais confiam plenamente na capacidade do indivíduo e da sociedade, só com um mínimo ambiente estatal seguro mas livre.

            Abraços.

          • Icaro Kossmann

            Karl, baseado nisso, posso ser um ‘progressista liberal’??? Defendo a intervenção estatal na economia,(claro que isso devo e quero debater sobre hehehe), mas ao mesmo tempo confiar na capacidade do indivíduo para escolhas morais e éticas?

          • Karl Milla

            Na verdade, Icaro, mais importante que os rótulos são as ideias que defendemos.
            Como expliquei acima, pessoalmente não considero liberal quem não defenda ao mesmo tempo as liberdades civis e as liberdades econômicas dos indivíduos, isto é, nenhuma intervenção estatal nem na economia nem nas questões morais (exceto as necessárias para garantir os direitos básicos da vida, da propriedade e da própria liberdade).
            Então, se você é favorável à intervenção estatal na economia e defende as a liberdade civis, você é um clássico progressista ou “social-democrata” ou ainda de esquerda moderado. Você pensa que os indivíduos não são plenamente capazes de tomar suas próprias decisões econômicas, porém ao mesmo tempo crê que cada um é livre para tomar suas decisões morais sem problemas.
            É claro que isso é de acordo com minha concepção de “liberal”. Se você quiser utilizar a nomenclatura acadêmica citada pelo Márcio, pode muito bem se considerar um liberal com viés progressista ou de esquerda, mas acho que isso mais confunde do que ajuda. Outra coisa que causa muita confusão é a nomenclatura adotada nos Estados Unidos onde os Democratas são muitas vezes chamados de liberais quando, na verdade, na minha opinião, liberal mesmo é só o Partido Libertário (socialmente de esquerda, economicamente de direita).

            Sobre o “conservador de esquerda”, imagino que você queira descrever alguém que defenda a plena intervenção estatal em todas as esferas da sociedade (o que poderia ser chamando também de um “progressista de direita”). Nesse caso trata-se, dependendo da desculpa utilizada para o totalitarismo, de um comunista ou de um fascista. É praticamente o oposto ideológico de um liberal/libertário.

            Abraço.

  • Karl Milla

    Caros Senhores da Guerra!

    Para não ficar chato vou me abster de fazer comentários muito liberais.
    A respeito da reforma política, acredito que o passo mais importante foi a instituição de um teto (apesar da regra não ter ficado muito clara, já que, se for feito como descrito, o teto tende a zero). Já comentei em outras ocasiões que a proibição da doação por empresas tenha algum efeito prático pois as práticas que levam os políticos a favorecerem as empresas doadoras já são proibidos e se os órgãos responsáveis pela fiscalização e punição fossem eficientes não precisaria uma nova lei. Já que não são, uma nova lei só deixa as coisas ainda menos transparentes.

    • Ulisses Neto

      é, Karl. Aqui na Inglaterra o Estado é ainda maior e ainda mais intervencionista, mas as punições de fato são pesadas e rápidas. Talvez este seja o caminho!

      • Karl Milla

        Discordo, Ulisses.
        Segue o link da Heritage Foundation comparando o nível de liberdade econômica entre Brasil e UK: http://www.heritage.org/index/visualize?countries=brazil|unitedkingdom&src=ranking
        Posição:
        UK = 13
        Brasil = 118

        • Ulisses Neto

          Tem razão. Embora eu não tenha me referido apenas à economia, mas sim a presença implacável do Estado na vida do cidadão. Mas, focando especificamente no ponto q vc levantou, não dá pra questionar os dados. Abs!

  • Debora

    As dicas que são citadas
    no final, vocês não postam os links? Iria ajudar a guardá-los para ver posteriormente. 🙂

    • Ulisses Neto

      Não há outra justificativa para esta falha se não a nossa preguiça… Vamos corrigir isso!

  • Thiago Santos

    Saudações casters do NBW. o/

    Eu gostaria que o Ulisses tivesse falado mais sobre o líder dos trabalhistas eleito recentemente; mais especificamente da sessão de perguntas semanais ao premier e sobre a cerimônia de homenagem aos mortos na batalha da Inglaterra, onde ele não cantou o “God Save the Queen” por ser abertamente republicano. No mais, podcast bem legal. o/

    • Ulisses Neto

      É verdade, Thiago. Esses assuntos foram amplamente debatidos por aqui e reverberaram pouco no Brasil. Deveria ter falado mais do Corbyn! Pelo visto vc curte a política britânica, né? Eu gosto demais, mas às vezes fico com receio de ficar dando muito destaque no podcast por achar que nem todo mundo gosta. Enfim, vou falar mais, sim, pode deixar! Se é que o establishment trabalhista vai deixar o Corbyn ficar na liderança por muito tempo…

      • Thiago Santos

        Eu gosto de política no geral, mas eu não tô muito por dentro da política britânica. Eu vi umas duas reportagens do el pais sobre ele, comentando este dois casos, aí fiquei curioso. Gosto dessas figuras q tiram os outros políticos da zona de conforto.

        Espero q deixem o Corbyn na liderança dos trabalhistas por um tempo.

        Apesar da política inglesa não ser um interesse específico, seria bom ouvir um pouco mais.

        O/

  • Ivanilton Junior

    Prezados jogadores de jogos de tabuleiro, bom dia.

    Tudo bem com os senhores? A fala do Lewandowski é bem clara dentro do mundo jurídico porque ao declarar a norma inconstitucional o STF afirma que tal regra já nasceu com vício e, por isso, deve sumir imediatamente do ordenamento sem produzir mais qualquer efeito. Em alguns casos a corte suprema pode editar regras de transição ou exceções a inconstitucionalidade para assegurar a segurança jurídica de algumas relações já consolidadas, no caso do financiamento de campanha para mim é claro que a nulidade da norma impede de qualquer forma doações e deve ser assim, alguns autores defendem também que a partir de agora essa pauta já não poderia ser posta em votação novamente por estar viciada, mas isso é uma posição dentre várias no mundo do Direito.
    Espero ter ajudado de alguma forma e gostaria de dizer que adoro o programa de vocês.

    • Ulisses Neto

      Sim, Ivanilton! Não só ajudou como fez uma colocação clara e que foi utilizada também pela Dilma para vetar o financiamento privado no texto da mini-reforma política! Valeu muito pela mensagem. Abração!

      • Ivanilton Junior

        Por nada, Ulisses. É bom saber que ajudei vocês, desde que comecei a ouvir é um dos meus podcasts favoritos e base para muita reflexão. Os agradecimentos são todos meus por isso. Um grande abraço!

  • Karl Milla

    Dicas do NBW

    André:
    Filme “Que Horas Ela Volta?” (http://www.imdb.com/title/tt3742378/)
    Documentário “Ayrton – Retratos e Memórias” (http://canalbrasil.globo.com/programas/ayrton-retratos-e-memorias/materias/assista-ao-primeiro-episodio-da-serie-ayrton-senna-retratos-e-memorias.html)

    Barata:
    Podcast “NPR – The Hidden Brain” (http://www.npr.org/podcasts/510308/hidden-brain)
    Série “Black Mirror” (http://www.imdb.com/title/tt2085059/)

    Ulisses:
    Filme “O Passado” (http://www.imdb.com/title/tt2404461/)
    Série “Run” (http://www.imdb.com/title/tt2297604/)

    Música: “Float On” Modest Mouse (https://www.youtube.com/watch?v=CTAud5O7Qqk)

    • Icaro Kossmann

      Valeu Karl!