NBW080 – BRASIL, capitulo 2 31/03/2016

moro

Amigos do Podcast NBW, estamos aqui mais uma vez com um programa monotemático sobre a política nacional. Falamos do andamento da Lava Jato, do processo de impeachment da presidente Dilma e otras cositas más.

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Anomalisa

André Pontes

Fresh Air – Apple vs FBI

Barata

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  • Gus Hansen

    Let’s go, Baby!!
    Antes de ouvir reafirmo minha previsão, que deixei aqui no começo de 2015, de que não haverá impeachment e Cunha dançará.
    A pista que os Srs lançaram no twitter com a declaração de Renan é um dos sinais.
    Quem viver verá.

    Voltarei após uma atenta audição de vossa transmissão.

    • Ulisses Neto

      Valeu, Gus! Começamos falando do seu comentário no episódio anterior! Tbm acho que a situação do impeachment ainda não chegou às favas contadas, mas tbm não está longe disso. Grande abraço.

      • Gus Hansen

        Muito obrigado pela deferência, NBWers! Já fui citado no podcast com outro alias, Mauricio Harada, que é meu nome. Gus Hansen é um jogador de Poker famoso que uso como nick no Disqus há bastante tempo. É uma honra ser citado em uma discussão tão elevada. Muchas gracias.

        Quanto aos últimos dias, parece que a fervura deu uma baixada, né? O foco saiu do Lula após as ligações interceptadas virarem piada, o contrato de gaveta ser apenas isso, e Moro levar pito e se retratar. O MP segue com a missão de enquadrar Lula, apertando Bumlai (mas não acho que é por aí) e voltando até Celso Daniel. Sim, acho que o assassinato dele foi motivado por política, mas um caso local, não a cúpula do PT mandando matar.

        Foco total na câmara e o impeachment. PMDB lava as mãos em 3 minutos e fica que nem o John Travolta no meme, procurando o que fazer nesses dias. Renan sabia que era um erro e deu um tapa na cara do Temer igual outro meme, aquele do Batman estapeando o Robin. O tweet de vcs sobre este fato foi certeiro, pois, acredito que Renan saiba que este impeachment não passa. A câmara pode votar, o senado pode aprovar, mas no supremo não passa. Se não tiver fundamento legal, esqueça pressão popular e qualquer outro motivo apresentado. Marco Aurélio Mello disse que sim, o supremo vai analisar o mérito. Pedalada não derruba governo.
        Gente, e que campanha pelo impeachment, não? Pato viaja com Kataguri pra cima e pra baixo, capa misógina da Isto É… Ainda bem que agora, 03/04 no UOL, começaram a questionar de onde vem a grana deste grupelhos da extrema direita.

        Imagino agora como está a cabeça do Moro, pra que lado ele vai? Já levou pito do lado legalista e sabe que não pode mais dar bandeira como fez com o grampo. Do outro lado já foi ameaçado de que a Lava Jato pode ser esvaziada após impeachment. Uma coisa sabemos: ele veio atrás do Lula, talvez por iniciativa própria, talvez com ajuda externa e é aí que mora o perigo. Me pergunto se ele vai continuar no Lula ou voltar a esquadrinhar o sistema que comanda a relação entre o mundo político e o corporativo. Pois, ele estava indo muito bem nesta última, botando gente na cadeia e expondo como funciona a corrupção em licitações e obras da Petrobrás. Ainda há muita grana a repatriar e muitos esquemas a serem desbaratados. Se ele se dedicar a desvendar o sistema, quem sabe, um dia, terá um mapa tão detalhado de como as negociatas acontecem que será capaz de precisar o crime, os valores e todos os detalhes que levem Lula pra cadeia (e mta gente boa junto)… Mas do jeito que ele tá fazendo é errado e injusto.

        Enquanto isso Lula tá viajando em campanha. Ele que não é bobo tá costurando suas alianças e acho que vai conseguir um certo nível de pacto ou trégua dos que tiverem bom senso. Bom senso de não colocar o país em clima de guerra civil e também de não ter o PT como oposição daqui uns meses. Porque se existe denúncias hoje em dia, espere só a enxurrada de barbaridades (verdadeiras ou não) que veremos se a Dilma cair neste processo meia boca ou se o Lula for preso por causa do triplex. Pragmatismo e fisiologismo é uma dupla vencedora neste jogo.

        Parece também que o ódio entre os facebookers deu uma arrefecida, ou cansaram um pouco de se xingar. Tomara que os mais radicais voltem a ser de centro na hora de se relacionar com o próximo.

        Grande abraço e uma bela semana a todos!!

  • Silvana Oliveira E Silva

    O que o Moro diz no áudio inicial eu entendi como “não precisa de governo para vc dizer não a corrupção”. Vocês ouviram “governo não precisa formular leis anti-corrupção”. Pra mim são coisas muito diferentes. A iniciativa individual de se corromper só pode dar certo pelo desenvolvimento ético da nação. Mas reconheço que a repressão governamental seja importante.
    Bom episódio. Quentinho saindo do forno.

    • Ulisses Neto

      Oi, Silvana! Com certeza é um trabalho de nação. Mas esperar que medidas individuais iniciadas pelo livre arbítrio vão gerar um resultado macro é proselitismo do juiz. O trabalho dele, no entanto, é um marco histórico no combate a corrupção no Brasil e oxalá as instituições saiam mais fortalecidas depois dessa zona toda!

      • Silvana Oliveira E Silva

        Entendi o ponto de vista de vcs, a concordo com o proselitismo. Só achei que o trecho sozinho especificamente não demonstra totalmente isso. Quem ouviu a palestra completa realmente pode tirar melhores conclusões dessa visão particular dele. Quanto ao trabalho do juiz em si, ele pelo menos é bem focado nos seu objetivos, o que já tem beneficiado o país até agora.

  • Alexandre Sena

    Ouvindo agora esta edição. Mais uma vez impressionado com o alto nível da discussão promovida por vocês. Parabéns!

  • Rafael Profeta

    Por mais podcasts como o de vocês. Parabéns.

  • Karl Milla

    Caros Senhores da Guerra,

    Ótimo programa, parabéns novamente.

    Mas tenho que, reiteradamente, defender o liberalismo de acusações decorrentes da falha no entendimento do que defendem liberais e libertários mundo afora. No caso específico das declarações do juiz Moro, concordo plenamente com o Ulisses de que é absurdo esse apelo feito aos empresários. E esse tem sido o tom em vários artigos de opinião, de que a corrupção não depende só dos políticos, mas começa com cada um de nós nas nossas escolhas morais do dia a dia.

    Discordo completamente.

    O ser humano é igual em qualquer lugar do mundo e a corrupção sempre irá acontecer quando houver duas coisas: oportunidade e sensação de impunidade. Não porque todas as pessoas são corruptíveis (muito pelo contrário), mas porque essa conjunção de fatores sempre vai atrair os indivíduos mais propensos a cometer crimes. Por isso é tão difícil acharmos candidatos que nos pareçam mais honestos ou mais capazes. Esse tipo de pessoa normalmente não é atraída para o ambiente político que temos no Brasil.

    Para diminuir a corrupção podemos atuar em uma dessas duas frentes, de preferência em ambas. É extremamente necessário que os mecanismos de controle e punição do Estado (polícia e justiça) funcionem bem, em todos os níveis, de forma independente e eficiente (essa é uma condição essencial também para o liberalismo). Mas também é necessário diminuir as oportunidades dos políticos, diminuindo seus poderes político-econômicos. A única diferença entre um libertário e um progressista neste âmbito é que o primeiro prefere atuar sobre as oportunidades essencialmente por acharmos que é o meio mais eficiente e barato (do ponto de vista do dinheiro público) para atingir o objetivo.

    Todos os casos de corrupção vistos no Brasil envolvendo empresas privadas, sem exceção, estão ligadas ao fato dos políticos ocupantes de cargo público terem acesso facilitado aos cofres públicos. Mesmo que a Odebrecht, OAS, etc. tivessem se negado a fazer negócios sujos, alguma outra empreiteira iria aparecer para ocupar esse lugar e aproveitar a brecha. Por causa disso esta última ficaria muito mais “eficiente” e “lucrativa” e cresceria a ponto de ultrapassar as primeiras. É a seleção natural que temos no “capitalismo de estado”, quando uma empresa é capaz de crescer sem atender as demandas dos consumidores.

    Espero que eu tenha contribuído para limpar um pouco a barra dos ideais que defendo e esclarecer que estamos muito mais próximos em nossas ideias do que os “rótulos” indicam.

    Como falei no Twitter, tenho a impressão que a maioria esmagadora dos brasileiros, tanto pró e contra o impeachment, tanto esquerdistas quanto coxinhas, querem limpar a casa. Toda essa discussão exacerbada de Facebook e Twitter é só sobre em qual cômodo começar a faxina. Mas há um grande risco aí porque enquanto a gente discute por onde começar, os corruptos estão tentando trancar as portas de acesso.

    Grande abraço.

    PS: os libertários não estão “babando” com a paralisação do governo por que não é isso que queremos. Ainda temos uma carga tributária ridiculamente alta sem contrapartida nenhuma e o mínimo que um governo deveria fazer, do ponto de vista liberal, que é deixar a polícia e a justiça eficientes, está muito longe de ocorrer. Fomos assaltados pela segunda vez só nesta safra aqui na fazenda do Piauí, desta vez por um grupo armado, com prejuízo somando alguns milhões, com relatos de pelo menos mais umas 15 ocorrências semelhantes na região desde junho de 2015 e nem combustível para a viatura a polícia local tem. A única vantagem da paralisação é que a carga tributária não está aumentando, o que seria certamente o caso se o governo tivesse alguma força ainda.

    • Gus Hansen

      Esta é uma boa oportunidade para incrementar os mecanismos contra a corrupção. Governança, transparência e fiscalização – só assim para sabermos se o papel higiênico do setor tal vale 12,00 o rolo.
      Se deixar chegar ao nível que estava na Petrobrás, naõ tem administração que consiga derrubar o esquema por dentro, nem demitindo todo mundo. Como o esquema tem diversos parceiros dentro e fora da empresa em questão, a corrupção continua assim que novos agentes forem cooptados. Portanto, em casos como a Petrobrás só a polícia resolve.
      É hora do povo exigir esta seriedade dos governos.

      Abraço. 🙂

      • Karl Milla

        Concordo contigo em parte, Gus.

        Não creio que só o componente de governança/fiscalização/punição consiga resolver o problema da corrupção no Brasil. É preciso ao mesmo tempo limitar o acesso indiscriminado aos cofres públicos. Isso se faz de várias maneiras, desregulamentando a economia para que a iniciativa privada em geral (inclusive estrangeira) e não só aqueles escolhidos pelo estado possa investir em infra-estrutura, comunicação, transportes e outros, descentralizando a estrutura de poder para permitir muito mais autonomia aos municípios e estados, e privatizando empresas públicas. Como disse o John Oliver no “Last Week Tonight”, “Is there ever a state-run oil company that is not corrupt? The only two words that are inherently more suspicious that ‘state-run’ are ‘oil company’.”

        Abraço.

        • Gus Hansen

          Pode até ser, Karl. Não descarto a participação de capital privado nestas empresas gigantescas como forma de torná-las mais eficientes e etc. Porém, não sou à favor de liberalização total, desregulamentar tudo.
          Brasil é um país complicado demais. Precisa de estado grande, forte, com uma porrada de funcionários públicos e órgãos governamentais que garantam uma série de serviços básicos, infra estrutura e direitos ao grosso da população. Sei que o governo não é e nem parece eficiente em diversos setores, mas ainda assim acredito que o Brasil precisa ter muita coisas sob seu comando. Cabe ao povo cobrar suas demandas. Cabe ao governo ser transparente e permitir a participação da sociedade. Há instrumentos com esta finalidade à disposição das pessoas.

          Sou um cara de esquerda, mas não filiado nem nada e nem socialista ou comunista. Não que ache essas ideologias erradas ou ruins, só acho que tudo bem o capitalismo ocidental desde que não esmague os pobres, que permita o bem estar de todos. Portanto, me considero de esquerda mais no campo social, na idéia de que é preciso sim, cuidar primeiro dos pobres e privilegiá-los ao distribuir benesses. Se o povão estiver bem o restante também sente os benefícios.
          Há um fundamento que é fato do estado/governo ter uma obrigação primordial com seu povo, tem que cuidar porque tá na constituição. Uma empresa tem obrigação com quem a sustenta. Ela pode ter comprometimento social e tudo mais de bom, porém seu maior compromisso será sempre com o lucro. Parto deste princípio básico e até simplista para acreditar que o Brasil não é um país para se entregar ao mercado totalmente.

          Muitos dos argumentos pela privatização partem da ineficiência do estado como gestor em diversas áreas. E está certo, o governo é uma merda em N casos. Porém, uma parte desta ineficiência foi gerada ao longo dos séculos, com a pouquíssima participação popular nas decisões e na gestão. Nos acostumamos a deixar tudo na mão de quem está lá em cima. Se o povo participar, exigir e meter a mão com o entusiasmo que tiveram nas manifestações populares, algo pode ser melhorado.

          Vlw

          • Karl Milla

            Entendo sua preocupação, Gus (ou devo dizer Mauricio?), e acredite, as minhas são as mesmas.

            Proponho, antes de mais nada, um exercício a você: releia o seu texto e, no lugar dos termos “governo” e “estado” coloque os nomes dos políticos que temos (ou tivemos). Sarney, Collor, Itamar, FHC, Lula, Dilma, Renan, Cunha, Aécio, Maluf, Alckmin, Richa, Marta, Delcídio, Temer, Requião, Mercadante, Brizola, Garotinho, Feliciano, e assim por diante. Quando você cobra eficiência, transparência, obrigação social, você está cobrando isso dessas pessoas. (sugestão de leitura: http://fee.org/articles/unicorn-governance/ em inglês ou http://www.libertarianismo.org/index.php/artigos/falacia-unicornio/ em português). Você está imaginando um mundo onde os políticos são honestos, eficientes e agem a longo prazo e onde os eleitores cobram constantemente essas virtudes de seus eleitos. Essas expectativas são irreais, elas não existem em lugar nenhum do mundo (sim, nem mesmo na Escandinávia).

            Não estou defendendo um sistema que abandone os necessitados e privilegie os ricos empresários. Esse sistema nós já temos, estamos vivendo ele. Quando o estado é capaz de repassar um volume muito maior de recursos públicos (na forma de juros subsidiados, isenção fiscal, estímulos diversos) à grandes empresas “amigas do rei” do que gasta com programas sociais com a desculpa de “estímulo econômico”, ele está justamente fazendo aquilo que você e eu condenamos. Cobra-se cada vez mais que o Governo se responsabilize pela economia e que as empresas tenham responsabilidade social. É uma inversão de valores. Acredito sim que, em um país como o nosso, o Estado tenha um importante papel para desempenhar na diminuição da desigualdade, especialmente no que tange as oportunidades, como combate à pobreza extrema, educação básica de qualidade para todos, segurança pública eficiente e respeitosa e uma justiça realmente justa e mais rápida e igualitária. Mas precisamos criar mecanismos de eficiência, de metas, de avaliações que são completamente incompatíveis com o sistema de funcionalismo público que temos e não vejo ninguém propondo uma mudança desse tipo, provavelmente porque as entidades trabalhistas e os atuais funcionários públicos, únicos beneficiados com a situação, fariam dessa plataforma um suicídio político. Como quase sempre um grupo pequeno que tem muito a perder com as mudanças impõe seu modelo a toda à sociedade que, individualmente, não tem tanto a ganhar.

            Eficiência, para qualquer empreendedor privado, é gerar lucro sim. E a única maneira de gerar lucro em um ambiente relativamente livre é atender as demandas de nós consumidores e a indicação disso é o lucro pois dele depende a sustentabilidade e o crescimento de qualquer empresa. Mas existem somente duas formas para um empresário ter lucro sem prestar um bom serviço ou ter um produto interessante ao consumidor: negociar com o governo utilizando-se de superfaturamento, licitações fraudulentas, direcionamentos ilícitos, e contar com uma barreira artificial que o protege de concorrência, e ambas estão nas mãos do estado. A primeira dispensa comentários por sua clara ilegalidade e imoralidade. Mas a segunda forma requer atenção muito especial. Ela quase sempre se dá através de uma aura de justiça social, de patriotismo, de proteção ao emprego, de direitos ao consumidor. Todos esses fatores são tão consensuais em economia quanto a evolução é na biologia. Mas acabam ocorrendo mesmo assim em todo o mundo por motivos puramente políticos e, em grande parte, sem maldade, só desinformação. Fiz um texto curto a esse respeito usando a indústria automobilística como exemplo: https://www.facebook.com/karl.milla1/posts/10204423884757575?pnref=story.

            Como ex-esquerdista (ex-leitor assíduo da Caros Amigos, hehehe) entendo muito bem sua posição, que é a posição da grande maioria das pessoas esclarecidas no país, e grande parte da aversão dessas pessoas às teorias liberais vem de um falso entendimento ou de um conhecimento muito superficial sobre o assunto. Já cansei de escrever que, como repetia Milton Friedman, liberal não é pró-empresário, pró-banco, pró-empreiteira, quem é pró-empresário, pró-banco, pró-empreiteira é governo. Liberal é pró-liberdade. Liberdade de escolha, de expressão, de orientação sexual, sobre o próprio corpo, de voto, de manifestação, de locomoção. O limite é a liberdade do outro. A partir dessa premissa básica é que se constrói toda a filosofia do liberalismo, mas que surgiu da observação da organização natural da sociedade principalmente a partir do século 18. O esquerdismo está muito próximo do liberalismo nessas questões morais, mas o liberal não acredita que o governo pode ser uma solução para muitos males. É só observar os políticos, aqui e mundo afora e parar de sonhar com unicórnios.

            Abraços.

            PS.: Já escrevi muitos textos aqui no NBW tentando esclarecer meus pontos de vista, mas, mesmo assim, continuo recebendo críticas completamente indevidas por pura desinformação e ignorância. Sugeri em outros posts, mas vai aqui de novo, quem tiver alguma crítica ao liberalismo, ao que ele defende, quem acha que discorda completamente dessa linha de pensamento, favor assistir pelo menos a série “Free to Choose” do Milton Friedman, produzida em 1980. Apesar de ter sido produzida há 36 anos, as ideias continuam bastante válidas e atuais.

          • Gus Hansen

            Olá Karl. Pode me chamar como quiser, só não xinga a mãe.. hehehe

            Então, acho que nossas ideias se encontram e desencontram em diversos pontos. Suas colocações são válidas e acredito que se a gente se aprofundar no assunto, lá na frente podemos concordar que um hibridismo bem à brasileira é o que pode funcionar melhor nessas terras. Posso aceitar diferentes teorias sem problema algum, desde que vislumbre o que considero essencial: o povão não pagar o pato no final. E é por isso que insisto na tese do estado forte, compromissado com o bem-estar do povo. Não descarto que podemos chegar ao que eu quero através do que você defendeu. Seria o híbrido que citei.

            Abraço

            P.S. viu que os ventos estão soprando diferente esta semana? Muita gente se ligando da temeridade de derrubar um presidente no grito. Se a lei prevalecer, ótimo, é sinal de que caminhamos em direção ao país que acredito que nós dois queremos.

  • Rogério Calsavara

    Saudações NBWs,

    Conheci o programa de vocês há pouco tempo e só lamento que não tenha conhecido antes. Em um país em que se dá tanta importância ao futebol, ao carnaval e a programas televisivos de péssima qualidade o podcast NBW é um verdadeiro oásis em meio ao deserto da superficialidade.

    Gostaria de poder contribuir com algo relevante à discussão, mas a avalanche de acontecimentos é tanta e em tal velocidade, que confesso que sinto-me um pouco perdido e não tenho confiança para poder emitir uma opinião minimamente embasada. Preciso de mais tempo para reflexão. Por enquanto o que eu posso dizer é que tenho um sentimento de que, apesar da situação desesperadora da economia, sou um privilegiado de estar vivendo este momento político tão intenso e, espero, decisivo para o futuro do país. Um momento que constará nos livros de história do Brasil no futuro como um marco do processo de construção da nação brasileira.

    Muito obrigado pelo podcast e até a próxima!

  • Nilda Alcarinquë

    Olás!

    A afirmação do promotor da Lava Jato sobre o PT ter permitido as investigações: pode ter sido por não se atentarem para o que poderia acontecer se deixassem a Polícia Federal e o Ministério Público Federal agirem.

    Parece óbvio que um governo deva agir assim?
    Não, não aprece óbvio.
    No Brasil um governante, de qualquer esfera, cumprir as leis é algo inusitado. Normalmente cobra-se o cumprimento da lei dos cidadãos, dos inimigos, mas não dos governantes. Tanto que muitas obras e prédios públicos não obedecem as mínimas regras de segurança e acessibilidade exigidas por lei, e todos acham natural isso. Quando um governante começa a agir como se as lei também valessem para o estado e para políticos todos se surpreendem, e alguns até se rebelam.
    Aliás, acredito que seja proposital o sucateamento das Policias Civis em quase todos os estados, pois se se profissionalizassem de verdade suas investigações chegariam a deputados ligados ao crime e políticos e empresários corruptos.

    Então é sim, pra se elogiar quando não há interferência de um governante ou partido junto a alguma polícia ou Ministério Público. Proposital ou não, ter deixado estas instituições se fortalecerem foi algo quase inédito na nossa República e Inédito desde a redemocratização.

    Dá pra reverter esta independência? Sim, dá. E muito órgão de imprensa vai ajudar nisso. Principalmente porque duvido que algum novo governante que esteja acostumado a mandar nos Ministérios Públicos Estaduais e a polícias subservientes vai aceitar tanta independência. No mínimo um corte radical de verbas ocorrerá.

    Queria falar também da matéria misógina da Isto é, mas vou ficar só nesta observação.
    E obrigada por estes episódios semanais.

    Nilda
    48 anos, Jandira-SP
    mitografias.com.br – agenciatransmidia.com.br

    • Gus Hansen

      Se não elogiável, pelo menos é de estudar o caso.

  • Marcos Oliveira

    Só pra confirmar, realmente plano de governo não faz muito sucesso, haja visto que a Marina foi a primeira a apresentar o plano de governo dela e foi descartada rapidinho por ataques a este plano, enquanto o aÉbrio e a Giuma omitiam seus pseudo planos.

    • Jesse Dutra

      Olha, se vcs derem uma olhada no projeto de lei que cria o parlamentarismo, que tem como seu criador EDUARDO JORGE (sim, aquele), diz o seguinte:

      “Art. 86. Compete ao Primeiro-Ministro:
      (…)
      II – elaborar o programa de governo e submetê-lo à
      aprovação do Presidente da República;

      Parágrafo Único. O Primeiro-Ministro comparecerá
      mensalmente ao Congresso Nacional, para apresentar relatório sobre
      a execução do programa de governo ou expor assunto de relevância
      para o País, importando em crime de responsabilidade a ausência
      injustificada. (NR)

      Art. 84 Ocorre a demissão do governo, em caso
      de:
      II – rejeição do programa de governo;”

      Logo programa de governo seria uma obrigação do titular do poder, não uma faculdade de um postulante ao poder. Nisto tenho bastante simpatia por esta delberação.

      Fonte: http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra;jsessionid=5F48D94A89979443FA5DEC7E911F8F1A.proposicoesWeb2?codteor=24342&filename=Tramitacao-PEC+20/1995

      • Gus Hansen

        não sei se parlamentarismo seria uma boa pro Brasil. Esses aspecto da demissão em caso de rejeição do programa me faz pensar que poderíamos ter 1 PM a cada ano… Mas não conheço detalhes sobre o sistema parlamentarista, portanto, posso estar falando merda. Abs

  • Angel Rhaim

    Oi Brigões.

    Ouvi o podcast, pensei, pensei e pensei mais.
    E resolvi escrever.
    Nos últimos 6 meses visitei a Bolívia, Chile, Filipinas, Vietnan, Laos e Camboja.
    Todos “terceiro mundo” (entre aspas porque nem sei se essa classificação ainda vale. Sou velha), e com os mais diferentes tipos de governo.
    A corrupção existe em todos eles, em maior ou menor escala.
    Portanto: não é uma coisa de brasileiro, não é cultural e não depende de ideologia política.
    Para mim ficou muito claro que é quase uma questão de sobrevivência.
    Todas as pessoas com quem conversei nesses países sofrem e tem vergonha da corrupção e também não fazem idéia de como iriam acabar com isso. E admitem que em alguns momentos utilizam desse instrumento, basicamente porque é o que temos para hoje, ou seja, é assim, aceite.
    Algumas estórias, vistas e vividas.
    Filipinas.
    Tivemos que tomar uma balsa para irmos de uma ilha para outra, de Cebu para Dumaguete.
    Compramos as passagens e como eramos um grupo grande, deixamos sair a primeira balsa e esperamos mais uma hora pela outra, que era maior e tals.
    Tudo certo e combinado.
    Quando a segunda balsa chegou estávamos em fila (porque sim, paulistano organiza a fila em todos os lugares do mundo. É mais que um TOC, é filosofia de vida) e o balseiro percebeu que, claro, eramos todos turistas.
    E queria cobrar um extra por causa das malas.
    Não era grande coisa no dinheiro deles, mas causamos.
    Não pagamos, não deixamos ninguém entrar até que puséssemos nossas malas e embarcássemos e ficamos vigiando as malas, que a esta altura estavam empilhadas por todo lado.
    E ele levou menos gente do que poderia ter levado, caso não tivesse tentado ganhar um extrazinho e tivesse nos ajudado a colocar as malas na parte de cima, que era o planejado.
    Ficamos muito bravos porque não estava combinado que iriamos pagar a mais (sim, nós perguntamos quando compramos os bilhetes) e porque ficou muito claro que a questão era sermos turistas.
    Ho Chih Minh, antiga Saigon, antiga capital do Vietnan do Sul.
    A guia nos contou que o Vietnan é um dos três maiores produtores de arroz do mundo, atras da China e da Índia.
    O governo comunista chama os representantes dos fazendeiros e combina com eles o que cada região irá plantar. O governo paga o valor que o governo estabelece e os agricultores receberão dois meses depois da colheita em uma cidade próxima.
    Os agricultores plantam arroz.
    Porque os compradores (acredito que da China principalmente, porque as nesse caso o arroz não sai como produzido no Vietnan) propõem pagamento à vista, na casa do agricultor e pelo valor de mercado.
    Agricultores corruptos em um país comunista?
    Quase me caiu o queixo.
    Hanói, norte do Vietnan.
    Vi mercado negro de carne.
    Lá pelas 5 da tarde começaram a aparecer muitas mocinhas em bicicletas com um isopor na frente, em uma grande avenida.
    Paravam rapidinho, negociavam e já iam embora rapidinho. E chegava outra.
    Apertei a guia. Disse que não era nada.
    Apertei mais e ela “deixou cair” que era carne, se corrigindo logo depois que não era boa, que o governo não aprovava e tals.
    Vi um tipo de “jogo do bicho” nas ruas.
    Nem apertei a guia, fiquei com dó. Só disse que no Brasil temos algo parecido e rolou “aquela” troca de olhares.
    Fomos para Halong Bay.
    Casas estilo europeu enormes, mansões mesmo.
    A essa altura a guia já estava mais soltinha: contrabandistas de carvão, que tem muito naquela área e é fácil retirar e mandar para a…..China.
    Vi no Laos, vi no Camboja, soube que está feio no Chile (mas não como no Brasil ainda, segundo nossa guia) e que tem na Bolívia também (nosso guia lá não curtia falar de política, então soube por outros turistas que foram “convidados” a praticá-la).
    Terceiro Mundo: tudo igual que nem.
    Políticos politicando, fechados em si mesmos, e o povo levando como dá.
    E mais: os mais pobres se ferrando. Muito. Sempre.

    Isso já está muito comprido.
    Vou escrever outro sobre algo que também me incomodou.

    Beijos da fã!

  • Angel Rhaim

    Oi, de novo.

    Nesse último podcast vocês quase chegaram lá…
    Fiquei muito assim: “Isso. Vai. Mais um pouquinho. Mais…. mais…. não. Não deu”.
    Dali a pouco: “Aí. Aí. Isso, quase, mais um pouquin…não páááááááára!!!!!!”
    Que foda mais mal feita a de vocês três.

    – Do que a louca está falando????
    – Louca mas medicada. Respect!

    Disso aqui:

    “Só 35 deputados se elegeram com a própria votação

    Os demais 478 eleitos no domingo contaram com os votos somados do partido ou coligação para atingir a votação necessária para a eleição de um parlamentar. Só Russomanno elegeu mais quatro deputados.

    Veja quem se elegeu ou reelegeu com os próprios votos:

    Deputado eleito Partido UF Votação Situação Profissão
    Arthur Bisneto PSDB AM 250.896 Novo Político, atual deputado estadual, já foi vereador
    Lucio Vieira Lima PMDB BA 222.164 Reeleito Cacauicultor, engenheiro agrônomo e pecuarista
    Genecias Noronha SD CE 221.567 Reeleito Empresário
    Moroni Torgan DEM CE 277.774 Novo Servidor público civil aposentado
    Daniel Vilela PMDB GO 179.214 Novo Graduado em Direito
    Waldir Soares PSDB GO 274.625 Novo Policial civil
    Gabriel Guimarães PT MG 200.014 Reeleito Empresário e advogado
    Odair Cunha PT MG 201.782 Reeleito Advogado
    Misael Varella DEM MG 258.393 Novo Empresário
    Rodrigo de Castro PSDB MG 292.848 Reeleito Advogado, administrador de empresas e empresário
    Reginaldo Lopes PT MG 310.226 Reeleito Economista
    Zeca do PT PT MS 160.556 Novo Bancário
    Delegado Eder Mauro PSD PA 265.983 Novo Delegado da Polícia Civil
    Pedro Cunha Lima PSDB PB 179.886 Novo Advogado
    Veneziano PMDB PB 177.680 Novo Advogado
    Aguinaldo Ribeiro PP PB 161.999 Reeleito Empresário
    Eduardo da Fonte PP PE 283.567 Reeleito Empresário
    Pastor Eurico PSB PE 233.762 Reeleito Comerciário e comunicador de rádio
    Jarbas Vasconcelos PMDB PE 227.470 Novo Bacharel em Direito
    Felipe Carreras PSB PE 187.348 Novo Empresário de shows e entretenimento
    Christiane Yared PTN PR 200.144 Nova Empresária e pastora
    Jair Bolsonaro PP RJ 464.572 Reeleito Militar da reserva
    Clarissa Garotinho PR RJ 335.061 Nova Jornalista
    Eduardo Cunha PMDB RJ 232.708 Reeleito Empresário e economista
    Chico Alencar PSol RJ 195.964 Reeleito Professor de ensino superior e escritor
    Leonardo Picciani PMDB RJ 180.741 Reeleito Empresário, agropecuarista e bacharel de Direito
    Shéridan PSDB RR 35.555 Nova Psicóloga
    Esperidião Amim PP SC 229.668 Reeleito Empresário, administrador, advogado, professor universitário
    João Rodrigues PSD SC 221.409 Reeleito Empresário, radialista
    Adelson Barreto PTB SE 131.236 Novo Jornalista e redator
    Celso Russomano PRB SP 1.524.361 Novo Bacharel em Direito e jornalista
    Tiririca PR SP 1.016.796 Reeleito Humorista
    Pastor Marco Feliciano PSC SP 398.087 Reeleito Conferencista, empresário, pastor evangélico
    Bruno Covas PSDB SP 352.708 Novo Advogado e economista
    Rodrigo Garcia DEM SP 336.151 Reeleito Advogado, empresário e corretor de imóveis”

    Daqui ó: http://m.congressoemfoco.uol.com.br/noticias/so-35-deputados-se-elegeram-com-a-propria-votacao/

    Tô cansada do mimimi #brasileironãosabevotar.
    A questão da reforma eleitoral é super importante por causa disso: ninguém consegue entender como funciona as eleições para deputados e vereadores.
    E a solução “mágica”: “quem é que você elegeu? Tem que cobrar dele”
    A pergunta de sempre: “mas como esse cara se reelege”.

    A lei é clara: foi feita de forma absolutamente obscura que é para ninguém entender mesmo.

    Aqui dois artigos que explicam muito melhor do que eu conseguiria:

    http://www.arcos.org.br/artigos/voce-sabe-como-se-elege-um-deputado
    http://pragmatismo.jusbrasil.com.br/artigos/142294291/nem-sempre-e-eleito-quem-tem-mais-votos

    Tive uma aula inteirinha sobre isso, li os dois artigos, mas se tiver que explicar vou ter que estudar.

    Sempre travo no primeiro ponto: não é voto indireto, é voto proporcional!
    Ahãm. Senta lá, Claudia!

    Essa questão vai em cima de outra que vocês estão querendo discutir, mas também ainda não deu: programas de governo.
    Porque essa Lei Eleitoral seria ótima se houvesse um partido que tivesse um programa de governo que me representasse.

    Mas como o warrior André Pontes bem disse: programa de governo faz perder votos.

    Uma ideia seria entender bem como esse voto funciona e nas próximas eleições para o legislativo dar uma lembrada nisso e uma focada em cada programa de governo proposto.

    No mais, tô com a @karolsays (Carol Penha): “Um Barata na Cozinha!”

    Beijos e já esperando o próximo.