NBW081 – BRASIL, 17 de abril, o dia D 14/04/2016

muro-brasilia

Amigos do podcast NBW estamos de volta com uma edição quase monotemática. Falamos muito sobre os erros cometidos pela presidente Dilma Rousseff e o que aconteceu para chegarmos na atual situação política no país. Debatemos como será o possível governo Michel Temer. Para ser mais específico, falamos como imaginamos que serão os primeiros 100 dias de seu mandato.

E por fim, e eis o motivo de não ter sido monotemática, comentamos en passant as investigações do Panama Papers.

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Recomendações da semana:

Ulisses Neto

Anomalisa

Victoria

André Pontes

Documentário Amy

Barata

Wild Seed

The last of us

  • Murillo Prestes

    Caras, eu entendo que vocês, como trabalham com marketing político, se preocuparem com o financiamento de campanha. Mas vocês acreditam que isso seria ruim pro sistema político? Normalmente eu só acompanho o lado do PSOL e outros partidos de esquerda sobre essa discussão e é unânime o parecer deles contra isso. A ideia é que as empresas parem de financiar campanhas para acabar com os favores feitos em troca à elas em caso do candidato se eleger. O único lado que vejo até o momento é que hoje em dia pelo menos há uma transparência nesse sistema, podemos saber quem foi que doou pra quem, e caso for proibido o financiamento, a doação pode rolar por laranjas. Enfim, não consegui pegar muito o que vocês acham sobre isso porque o comentário foi curto, gostaria de saber mais de vocês sobre isso. Mesmo porque eu não tenho opinião formada também.

    Agora sobre o impeachment eu basicamente concordo com tudo que vocês disseram, mas tem uma coisa que me preocupa que eu vejo pouca gente dando bola ainda. Vamos lá: o governo dilma é ruim? Sim. Ela cometeu crime de responsabilidade? Não (e tenho certeza que boa parte da galera da marcha do impeachment sabe muito bem disso, mas assim como vocês disseram, a galera está em parte nas ruas por ódio ao PT e não se importa muito se ta sendo algo legal ou não). Sendo assim, vocês não acham que isso pode criar um ciclo vicioso? Tanto a esquerda quanto a direita vão ver que é possível tirar presidente sem esperar eleições e vão ficar nessa de apoiar impeachment adoidado pra cada um que sentar no trono. E mais do que nunca vai ter gente na rua por essas coisas. Eu acho preocupante pra cacete. Preocupante também o papel deplorável e parcial da mídia em não mostrar a ilegalidade dessas ações. O Brizola já dizia “pode ter certeza que o dia que eu assumir a presidência, assim que eu colocar o pé no planalto, eu já vou pressionar para que aconteça a democratização da mídia” não com essas palavras exatamente, mas ele fala isso no documentário que a bbc fez da globo lá nos anos 90.

    Como vocês disseram também, fazer governo pra reeleição é sempre uma merda. Se não me engano, o Haddad mesmo disse logo que entrou que não faria um governo pra se reeleger, tanto que colocou o dedo na ferida do paulistano médio viciado em carro. Outro exemplo seria o Obama agora no fim do mandato se reconciliando com cuba e aprovando coisas que torcem o nariz de boa parte do eleitorando como casamento igualitário.

    Sobre as recomendações: eu gostei de tudo do Victoria, menos da historia. Não é nem tão absurdo pra ser fantasia nem tão verídico pra ser crível. Tipo, NINGUÉM tomaria as decisões que a menina tomou, é tipo aqueles filmes de terror com adolescentes burros de protagonistas, que tomam decisões intomáveis na vida real e você fica no facepalm. No caso so Victoria é um facepalm COLOSSAL. Se fosse um filme qualquer eu pararia de ver assim que começaram esses acontecimentos esdrúxulos, mas como a atuação de todos é fudida e a proposta do filme é desafiadora em termos técnicos, eu vi até o final e não me arrependo.

    O cinema alemão é do caralho, recomendo pra vocês também Os Edukadores, Goodbye Lenin e A Vida Dos Outros (esse ganhou Oscar se não me engano). Todos com fortes contextos políticos.

    Abração pra vocês, parabéns por mais um episódio bacana.

    • André Pontes

      Fala, Murillo. Nós somos, sim, contra o financiamento privado de campanha (falo em nome dos três). Essa lei, aliás, já está em vigor. Nessa próxima campanha, de 2016, não poderá ter financiamento empresarial, só pessoal. Concordo com o banimento do financiamento de empresas para campanha pq isso nada mais é do que uma forma de empréstimo com juros altíssimos, como temos visto nos noticiários. A proibição, claro, fará com que essa doação seja feita de forma escusa, mas aí é que entra a PF, TSE, TRE e todos os orgãos jurídicos responsáveis por fiscalizar isso. É proibido roubar, certo? Mas muita gente rouba. Então cabe a polícia fiscalizar. E por aí vai.

    • Ulisses Neto

      E a real é que eu fui ouvir de novo o episódio e do jeito que eu falei não ficou claro, Murillo. Mas é isso que o André falou. A regra que está em vigor é a que a gente apoia. E esperamos que ela seja mantida pq tá cheio de raposa querendo derrubar.

      A tua preocupação também é a mesma que eu venho martelando. Corremos o risco de entrar num ciclo que nos referendaria como republiqueta. Espero que você e nós estejamos errados.

      Sobre Victoria, a minha mina falou EXATAMENTE a mesma coisa que vc quando o filme acabou hahahaha. O que eu argumentei – e acabamos entrando num consenso – é que existem dias na vida em que a gente acaba tomando as decisões mais imbecis e inimagináveis. E que normalmente é naquele dia que o ‘certinho’ quer pagar de ‘aventureiro’. Em bom português ‘a cagada ensaiada’.

      O fato dela ser uma pianista frustrada, recém saída de anos no conservatório, trampando de garçonete, configurou esse perfil, na minha opinião.

      P.S.: Edukators é meu filme alemão preferido. Penso nele vira e mexe… Abração!

  • Filipe Americo

    Saudações,

    Sou um ouvinte relativamente recente e este é o meu primeiro comentário.

    Pra deixar claro quais são as minhas preferências, votei no PT até o mensalão (chorei na eleição do Lula).

    Reclamava do FHC e do neoliberalismo até fazer economia e trabalhar no Banco Central. Mudei de lado e sai da esquerda para a direita, sem radicalismos. Sou mais um ultraliberal de costumes do que de economia.

    Entretanto, acho que precisamos diminuir e muito o tamanho do estado na economia do Brasil.

    Na ultima eleição votei na Marina no 1º turno e no Aécio no 2º.

    Votaria nela de novo, mais por falta de opção de um candidato mais liberal com chances de vitória e com uma boa reputação, do que concordância das propostas dela. Admiro muito a integridade dela (assim como do Cristóvão) e ela me parece não achar que dinheiro não nasce em arvore, tal qual a Dilma e seus “keynesianos”.

    Eu tendo a concordar com vocês sobre o fim do financiamento empresarial de campanha. Penso como o André.

    Discordo da visão de que a Dilma não cometeu crime de responsabilidade. Ela rasgou a LRF com as pedaladas ,e pra mim, isso deve ser motivo de impeachment .

    O cuidado e a transparência com as contas públicas deveriam ser uma das maiores responsabilidades do executivo de maneira geral. As pedaladas (o motivo do Impeachment), a tentativa de controle de preços da economia, entre outras, são o motivo da nossa economia ter entrado nessa depressão. A credibilidade desse governo no que tange a economia foi irremediavelmente destruída.

    Quanto ao Temer (ou o Cunha), não tenho ilusões da qualidade dessas criaturas, mas não podemos continuar sem nenhum governo. Por pior que o Temer seja, precisamos fazer a fila andar e não podemos esperar o ineficiente TSE impugnar a eleição ou as eleições em 2018.

    A divida brasileira atingiria algo em torno de 90% do PIB, com forte contingenciamento das despesas e dificuldade de fazer um superavit sem reformas profundas (e ainda por cima dependendo do congresso).

    Quanto a Lava-Jato, espero que continue firme e que o Supremo comece a julgar os politicos com foro privilegiado com celeridade.

    Abs, Filipe

  • Gus Hansen

    Senhores do NBW, foram muitos temas e muito assunto na última edição. Vou deixar aqui meus pitacos mais uma vez. Por favor, me aguentem.

    Madrugada de sexta para sábado e mais uma reviravolta no placar. Agora o que tava na cara que ia ser já não é mais, até mudar de novo…
    E por essa e outras que insisto em apostar numa certa solidez das instituições e princípios, no fisiologismo nutrido a clientelismo, na opção pelo sofrimento suportável ao invés da aposta golpista, e até no espírito cívico dos que votarão no domingo. Sim, acredito que os motivos e fatores que podem emperrar o impeachment é um conjunto que mistura o que há de melhor e pior no mundo político.
    O cara pode pensar que a próxima eleição pode ser muito mais difícil em um Brasil pós-impeachment, e também que o país não pode virar uma republiqueta onde se derruba presidente no grito.

    Já, se o impeachment passar, aí sim o país pega fogo. Voces acertaram em dizer que uma boa parte dos que estão na rua vão descansar no próximo governo. Quem vai pra rua é o povão, os movimentos vão pra estrada, o morro vem pro asfalto e vai ter toda a esquerda pra incentivar. Acho que isso acontece ao menor sinal de que haverá cortes no social, alguma mexida no Sus e coisas do tipo. Se mexer um palito no que o povo conseguiu nos últimos anos, aí vai ter revolta mesmo. Não vão aceitar andar pra atrás.
    Quanto a esperança do André de que o povo vai reivindicar reformas em um Brasil sem Dilma, pode até ser mas acho que serão poucos setores que vão se mobilizar em torno de grandes mudanças. A maioria dos vestidos de seleção, lá no fundo, tem é saudade dos anos Lula, quando nunca se ganhou tanto na história deste país. Todo negócio dava certo, todo produto tinha saída e até os pobres tinham grana pra gastar.

    O Barata foi certeiro ao dizer que o motivo é a economia. Só que temos que lembrar que esta crise foi amplificada e reforçada pela atuação da oposição, mais o Cunha, mais a a atuação fraca do governo. Na real esta crise não é o fim do mundo que estão pregando, nem no campo político nem economico. O Brasil já viveu cada coisa… Só pra ficar na redemocratização pra cá, já tivemos a explosão das Diretas Já, a esfriada com as indiretas e Maluf concorrendo, Tancredo eleito e morrendo 1 mes após, e acabamos ficando com Sarney! Anos de Marimbondos de Fogo, inflação de 90% ao mes, remarcação de preço 2x ao dia, Plano cruzado, ágio, escassez de produtos, apreensão de boi no pasto. Depois tivemos que assistir um karateca caçador de marajás ser entronado no planalto, pra depois o cara confiscar dos manés. Quem viveu o confisco sabe o que é ver nego desesperado. Portanto, acho que esta crise não é tão alarmante quanto dizem, o país não está parado. Tá desacelerado e sem expectativa. Tem que dar uns trancos, uns incentivos, que pega no breu. Quem diz é o Delfim, que tbm disse que a Dilma tava indo muito bem até 2012, depois se perdeu.

    Outro tem que voces abordaram é a possibilidade de novas eleições. Esse é outro tema que eu não engulo, não acho viável e nem correto. Sim, caixa 2, dinheiro sujo em campanha é errado e deve ser punido. Mas então vamos investigar como é que a Andrade Gutierrez dá 20 milhões sujos pro PT e dá 20 limpos pro PSDB… Neste tema acho que o ideal é aprovar o financiamento público e tocar o barco pra frente. Melhor que todos esperem por 2018 e boa. Aiinda no tema eleições, tomara que aconteça o que o Lula falou de que o PT não vai aceitar doações de empresas nas suas campanhas. Quero só ver. Se for, será interessante e o cara vai conseguir fazer um baita crowdfunding. Outra que o Nassif disse que o Lula podia fazer é renunciar a se candidatar em 2018, entregar as bets pra oposição pra conseguir o pacto de governabilidade. Será, será?? Não sei se seria um gesto de estadista ou um erro estratégico fatal…

    Grande abraço e boa sorte no domingo!!

  • Gus Hansen

    Madrugada de domingo para segunda, e foi do jeito deles. 1º Round.

    O 2º Round, no Senado, tem cara deles também, com mais da metade dos votos, à primeira vista. Porém, o melhor orador do lado do governo avisou em entrevista coletiva pós votação que a etapa do Senado é diferente. Tudo deverá ser analisado com base técnica e jurídica, e não poderão ignorar fatos e invocar a motivação política. Vamos ver o que os senadores vão aprontar.

    Algumas horas passadas do término da votação já passou pela minha timeline e de meio Brasil reações à cafonice disfarçada de civismo, ao raciocínio rasteiro que vomita por qual devoção vota Sim. Deus, filhos, todos os estados da nação e até torturadores. Hoje foi uma oportunidade de encarar um por um os nobres deputados que elegemos e, que belezura, hein? Nossa, dá vergonha só de imaginar ser à favor do impeachment e ter esses caras do seu lado.

    Ter essa turma como vencedores é uma lástima e um perigo. Abrir a possibilidade de se derrubar um governo com base no oportunismo e no revanchismo é um risco a uma jovem democracia. Dilma não é Collor que tinha todos os setores da sociedade contra ele, Dilma não tem crime cometido. Não há também argumento político que justifique o impeachment. A questão é até simples, mas a pressão é tão grande, via mídia, congresso, judiciário, que um boa parcela da população acaba cedendo á solução golpista. Só que a pressão é tão grande que torna evidente seu verdadeiro objetivo, e outra parte do povo abre o olho. Estão fomentando a guerra.
    Pior de tudo é que seria tão mais fácil pra oposição esperar 2018 e levar a eleição. O governo já tinha que lidar com sua própria inépcia, mais um congresso todo contra, mais a lava-jato, mais as condições da economia mundial. Era só fazer o que a oposição sempre fez: apontar erros e mostrar que tem propostas melhores. Mas não, escolheram inviabilizar o governo desde o primeiro dia e viram na lava-jato uma oportunidade de juntar ódios guardados e derrubar o governo Dilma, juntamente com o maior inimigo e maior ícone da esquerda.
    Neste processo estimulou o ódio e a separação que vemos hoje. Ambos lados tem seus radicalismos no discurso, na utilização dos meios, na comunicação na internet, se bem que a retórica mais apelativa e rasteira venha de alguns movimentos da ultra direita. Mas, o lado virulento e que apela para violência física, a covardia de grupos truculentos, o ataque a qualquer sinal de vermelho, é típico de fatias específicas da direita. Não são a maioria mas incomodam demais, e se forem alimentados procriam rapidamente. O levante desta turma está em total sintonia com os discursos da turma que votou sim. Esta conta é da direita.

    Mas ainda temos outros rounds pela frente. Vai vir coisa feia de ambos os lados.

    Abraço e gravem logo!!

  • José Pereira

    Um dos grandes motivos que me fizeram acompanhar o NBW assiduamente e divulgar para outros amigos é a racionalidade constante de vocês três, promovendo debates enriquecedores e ajudando os ouvintes a terem uma linha de raciocínio mais sólida. Eu escutei o programa apenas ontem, após a votação que deve ser comentada por vocês em breve e, convenhamos, lamentar, pois o nível de argumentação demonstrado por nossos parlamentares foi digno de vergonha. Aliás, não houve surpresa para os que acompanham a TV Câmara, mas nunca é demais sermos críticos ao ponto de reconhecer como fazemos um péssimo serviço na escolha de nossos representantes. Eu sempre reforço em conversas com amigos meus que ser parlamentar no Brasil é o emprego mais fácil que existe, pois é uma parcela mínima que entender e/ou acompanha o poder legislativo, independente se na esfera federal ou municipal. A quantidade de asneira foi absurda! Digna de uma 7×1! Parecia que nossos parlamentares chegavam ao microfone e enxergavam a imagem da Xuxa perguntando “Vai mandar beijo para quem?”. Se não estou enganado, acredito que apenas cinco deputados mencionaram a palavra “pedalada” durante a justificativa do voto. Ou seja, eles estavam votando ali por que? Foi surreal.

    Na minha cabeça, a presidenta continua viva graças a emissões de descargas elétricas constantes que não deixam o coração do governo parar de vez, pois na verdade ele já está moribundo desde o começo do ano passado. Particularmente, eu fui mudando de opinião em relação ao Impeachment com o tempo. No começo, eu era totalmente contra porque não via benefícios para o país em passar por mais um desgastante processo político. Desde o início eu via legalidade nas acusações. Houve crime de responsabilidade sim, a LRF é muito clara sobre empréstimos a bancos públicos e a justificativa do governo de “prestação de serviço” era muito frágil. Eu até concordo quando falavam que praticamente todo político fazia isso, mas é um argumento muito inocente para servir de sustentação em uma defesa. Entretanto, no começo do ano, quando o Ministro Barbosa anunciou mais notas de créditos em 84 bilhões de reais usando o FGTS como garantia, eu me tornei indiferente ao processo. A gota d’água foi a descarada tentativa de fazer com que Lula tivesse foro privilegiado por conta das investigações da Lava Jato, como defenderam Barata e André. Só que no fim de tudo, quando acabou a votação na câmara, algo ficou muito claro para mim: Ninguém venceu. A cada dia que passa, o Brasil mostra ser um fracasso republicano e talvez tenhamos de recomeçar tudo de novo. Eu não digo nem sobre uma reforma, algo que é urgente! Mas depender de nossos legisladores para ter esperança de alguma mudança é desesperador, até porque o atual Status Quo é muito favorável a eles.

    O que nos resta fazer é torcer para que este processo termine o mais rápido possível para poder ter alguma ideia do que virá pela frente. Sendo bom ou ruim, o Brasil precisa parar de focar em processos políticos e voltar a mirar nos imensos problemas que nos açoitam! Apesar de nunca ter dado um voto ao PT na minha vida, eu nunca torci para que eles fizessem um mau governo. É muito egoísmo querer que o outro se dê mal por conta de divergência opinativa, aliás, chega a ser um tanto masoquista, já que estará fazendo mal a si mesmo. Caso Temer venha a assumir, que faça uma boa equipe e comece a mexer naquilo que nos importa. A reforma administrativa deve ser a primeira coisa, porque o presidente tem total autonomia sobre a questão e fica a critério dele quando e como agir. Já outras muito importantes como a fiscal, trabalhista e previdenciária dependem do Congresso e deve acontecer com muitos debates prévios para entendermos a gravidade da situação e como precisamos ser bastante rápidos nessas questões. O Brasil sangra constantemente por conta de legislações ultrapassadas e não adianta mais colocar band-aid, precisamos estancar de uma vez por todas.

    Sobre as recomendações, gostaria de falar um pouco sobre o jogo que o Barata indicou. “The Last of Us” lembra muito o roteiro do filme “Eu Sou a Lenda” de Will Smith. Eu não lembro agora se é um vírus ou uma bactéria, mas ele afeta uma parte da população, transformando os infectados em zumbis canibais. O mundo vira a mistura de um cenário apocalíptico com o estado de natureza Hobbesiano, até que surge uma esperança para o desenvolvimento de uma possível cura. É simplesmente fantástico! Os gráficos são maravilhosos e é um tanto assustador também. E não é porque eu sou frouxo, pois outros amigos meus possuem a mesma opinião (Ou nós somos um bando de frouxos).

    Vou tomar a ousadia de indicar algo para vocês. Como os três são fãs de uma boa música, recomendo o CD novo do “Joe Bonamassa” chamado “Blues of Desperation”. É um Blues muito bacana.

    Aguardo o próximo programa.

    Abraços!

  • Karl Milla

    Caros Senhores da Guerra.

    Fiquei feliz em ler os comentários do Filipe e do José Pereira pois senão fica parecendo que sou o único ouvinte que defende a base jurídica para o impeachment. Tomei a liberdade de incluir um gráfico das pedaladas de Dilma em comparação com outros governos (tirado da Folha: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2016/04/1757921-pedaladas-fiscais-dispararam-sob-dilma-diz-relatorio-do-banco-central.shtml). Como escrevi no Facebook, os outros transitavam a 65 km/h numa via de 60 km/h. O Lula 2 acelerou a 150 e a Dilma passou dos 400 km/h. A rigor todos ultrapassaram a velocidade permitida, mas… sem comentários, né?

    Sim, o nível dos nossos representantes no Congresso é ridículo, vergonhoso e desesperador. Mas não é só um problema de escolher melhor em quem votar. Também enfrentamos o problema de convencer pessoas mais honestas e preparadas a serem candidatas. De que adianta o eleitor estar preparado, pesquisar, se a gama de opções é Bolsonaro, Cunha, Feliciano ou Tiririca (Tiririca na cabeça!). Também não me oponho à proibição do financiamento privado de campanha em si. Minha objeção é quanto à eficiência dessa medida em atingir o objetivo. É claro que precisamos melhorar a atuação da PF, TSE, TRE, mas o roubo, o estelionato, a prevaricação, a corrupção, o tráfico de influência, o caixa 2, etc. já são crimes previstos em lei, já são proibidos. Se fosse simples acabar com esses crimes, não precisaríamos nem proibir a doação privada. Como não vejo isso acontecendo, proibir só mais uma das ações que os criminosos já praticam não tem nenhum efeito prático significativo e pode ter alguns efeitos negativos no processo.

    Toda vez que ouço tanta reclamação sobre o nível dos nossos políticos e ao mesmo tempo essa grande esperança manifesta que o Estado deve resolver todos nossos problemas, lembro da falácia do unicórnio (http://www.libertarianismo.org/index.php/artigos/falacia-unicornio/). Nem peço um estado mínimo, mas só um pequeno ajuste de curso para começarmos a diminuir esse mastodonte que está nos esmagando. Vamos começar a discutir a privatização de mais empresas públicas (em todo esse período desde que a Vale foi privatizada ela só gerou receita, e grande, para o Estado em forma de impostos, ao contrário da Petrobrás), vamos começar a cobrar a adoção de metas mensuráveis e cobráveis das políticas públicas, vamos pedir a adoção de sistemas meritocráticos para os funcionários públicos (especialmente na saúde e na educação), ao invés de reforma tributária, vamos cobrar a diminuição geral dos impostos, a simplificação do sistema e a eliminação de regimes especiais, vamos acabar com as antiquadas tarifas e restrições de importação de todo e qualquer bem, vamos cobrar dos governantes acordos de comércio com países relevantes e finalmente globalizar o país, vamos diminuir o poder das agências reguladoras e diminuir os obstáculos regulatórios para que as empresas finalmente tenham que atender o consumidor e não o governo, e vamos parar de nos pautar pela gritaria da minoria que se beneficia muito de tudo isso e começar a pensar na maioria silenciosa sobre as costas de quem repousa todo esse peso.

    Saudações!

  • Bruno Trajano

    Olá gente!
    BEm sou novo aqui nos comentarios, mas conheço o podcast a praticamente 1 ano. ( nao escuto com tanta frequencia quanto deveria), e estou “atrasado umas semanas nas edições, tipo, ouvi o programa 1 semana depois da votação na camara. BEm o que vim dizer é apenas “o basico”, que gosto muito de ouvi-los, mesmo quando discordo categoricamente, e gosto mais ainda quando vocês me abrem os olhos para questões que eu não estava tão por dentro. Sempre pensei nesse esquema de a Dilma não ser nenhuma vitima nesse historia toda, mas nunca tinha visto um pensamento como este tão bem articulado. Não vou me estender muito por aqui, até porque é “programa velho”, já. Venho mais marcar presença mesmo, e parabeniza-los pelo NBW.
    Abraços a todos.
    ps: Segue os dados basicos, que acho que sempre são “solicitados” em podcasts: Sou Bruno Trajano, tenho vinte e poucos anos, sou funcionario publico, escritor, poeta, universitário e moro em Varjota, interior do CE.