NBW089 – Especial Brexit 24/06/2016

Amigos do podcast NBW estamos aqui numa edição especial (e inesperada) sobre o referendo no Reino Unido que culminou com sua saída da União Européia. Nessa edição o Ulisses e o André dissecam o assunto, explicam o que aconteceu e o que pode acontecer daqui em diante. Respondemos também perguntas que os ouvintes mandaram no nosso twitter. Esperamos que gostem e que nos mandem o que acham que pode acontecer com essa nova ordem mundial.

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Ulisses Neto

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André Pontes

Podcast Invisibilia

 

  • Carolina Lyon

    Gente, que rapidez nesse tema! Tirei meu chapéu! Começando a escutar agora.

  • Karl Milla

    Caros Senhores da Guerra!

    Meus parabéns pela agilidade em tratar do tema, pela iniciativa em responder diretamente às perguntas dos ouvintes e pela ótima discussão, de altíssima qualidade, equilibrada e sensata.

    Minha opinião é que o efeito mais significativo do Brexit vai ser sobre a União Europeia, não sobre o Reino Unido. Esse movimento vai ajudar a questionar algumas das políticas europeias, da real função e propósito da UE e de como organizar culturas, países e economias tão díspares de forma sustentável. Penso também que a saída do Reino Unido deve ter menos impacto real do que teria sido a saída da Grécia, apesar da brutal diferença entre os dois países, porque os britânicos nunca se sentiram realmente parte integrante da Europa, tanto que não faziam parte nem da Zona do Euro, nem do Tratado de Schengen, dois dos pilares mais representativos da UE. Eu ficaria realmente espantado se países fortes como França e Alemanha usassem o Brexit como exemplo a ser seguido.

    O maior risco que a Europa corre é sua cultura econômica ultraprotecionista. O bloco foi idealizado primariamente como uma zona de livre comércio entre os países com o entendimento correto que isso geraria progresso, desenvolvimento econômico e social, e estabilidade ao continente. E esses efeitos foram atingidos, em certa medida até superando expectativas. Porém as políticas protecionistas que muitos países europeus adotavam uns com os outros não foram de forma nenhuma abolidas, simplesmente migraram para a fronteira da União Europeia. Isso fez com que, ao invés de termos várias pequenas bolhas espalhadas pelo continente, tivéssemos o surgimento de uma grande bolha formada por países bastante díspares, alguns preparados, outros completamente à mercê do vento. o problema é que a deflação dessa bolha depende da abertura econômica do bloco, medida que é extremamente impopular em quase todos os países.

    O resultado é que temos países muito diferentes abrigados sob uma mesma moeda e enclausurados em uma redoma que os protege e também os isola do mundo. Temos alguns países fortes que servem de lastro ou “garantia” para todos, o que permite um funcionamento interno dos governos baseado na geração de déficit a juros muito baixos, criando uma ilusão de prosperidade (bastante moderada, é verdade). Mas esse déficit, mesmo a juros baixos, deverá ser pago em algum momento no futuro, preferencialmente com o aumento da produção econômica e da geração de riquezas internas. A Europa, no entanto, é um mercado muito pequeno para gerar crescimento interno para todos os países, especialmente os menos eficientes e competitivos. Só que a exposição desses países ao mercado global, por mais lenta que seja, teria efeitos imediatos negativos (inescapáveis, pois se trata de ajuste de distorções), o que torna a proposta politicamente indefensável.

    Se a crise de 2008 pareceu severa, a situação atual e as políticas atuais da Europa apontam para uma crise muito mais grave e profunda por vir. Espero que eu esteja completamente enganado, mas não é o que apontam os fatos.

    Uma das soluções apontadas por vários economistas seria a entrada maciça de imigrantes o que geraria sem dúvida um boom de consumo e produção intra-europeu, mas minha grande preocupação nesse caso é a perda da identidade social e cultural dos países. Por favor não entendam isso como xenofobia. O que estou dizendo é o seguinte: o que faz da Alemanha (ou França ou Inglaterra) o que ela é não são suas fronteiras, são séculos de história, cultura e convívio social acumulados nos seus habitantes e é isso que atrai pessoas para visitar ou viver nesses países. Quando um imigrante desembarca em um país estranho, é de se esperar que ele e sua família demorem um tempo para se sentir parte, para se integrar na sociedade. Porém quando esse número é muito grande muitas vezes ocorre o inverso, a cultura dos imigrantes começa a se sobrepor à cultura local, transformando de forma muito rápida e profunda a sociedade local e eliminando grande parte do que é o real atrativo daquele país. De novo, não estou dizendo que existem culturas “superiores” mas que um choque cultural muito grande e rápido pode provocar uma ruptura cultural que não poderá ser desfeita. De modo ideal sou a favor da completa e livre circulação de pessoas, assim como sou a favor da completa e livre circulação de produtos, serviços e dinheiro. Mas assim como no caso destes, essa liberação não pode ser feita de uma vez sob o risco de provocar danos irreparáveis aos países que assim o fizerem. Mudanças bruscas, como muito bem disse Obama, são altamente indesejáveis. Tão importante quanto saber para qual direção devemos virar o navio é saber que curvas muito bruscas, mesmo na direção correta. podem partir o casco e causar um naufrágio.

    PS.: O “Invisibilia” tá muito bom, ouvi os primeiros dois episódios e são realmente impressionantes.

    Grande abraço.
    Karl

  • Rodrigo Bamondes

    Parabéns pelo tema e pela agilidade, concordo com o que o Karl escreveu mas quero olhar por outra perspectiva estou preocupado, não por conta da vitória do BREXIT em si, mas por isso servir de combustível para a extrema direita. Muito embora, como disseram, não foram só os de extrema-direita que votaram pela saída, mas como foi uma bandeira que eles defenderam esses movimentos estão tomando o Brexit como uma vitória pessoal. Concordo que há um movimento mundial de questionamento da representatividade na política, isso está abrindo caminho para “outsiders”, muitos deles extremistas agressivos de direita e esquerda. O povo em geral está sofrendo e não entende de onde está vindo a porrada e está descontando na política. Isso decorre justamente do afastamento das pessoas normais das questões políticas. Muito provavelmente as pesquisas no Google sobre o que é a UE na Grã-Bretanha cresceram absurdamente depois da votação justamente porque muitos votaram sem saber o que significariam seus votos. Vale lembrar que no final do séc XIX e início do Séc XX a insatisfação das pessoas levou ao crescimento de movimentos como fascismo e socialismo, diversos conflitos explodiram e no fim das contas nos levaram a duas guerras mundiais e uma guerra fria. Entendo que apenas o livre comércio, a queda das barreiras tarifárias, a livre circulação de pessoas (pelo menos dentro dos grandes blocos continentais) e começarmos a criar uma cultura comum… pode nos evitar de entrar em novas guerras.

  • Mariana Mariano

    Estar “de saco cheio”/ser “outsider” não é um posicionamento neutro nem que caiu do céu. O senso comum é moldado, em grande parte, pela mídia, e a mídia tem um lado: o da direita. Nem todo mundo que toma posicionamentos de extrema direita se vê como tal, o que não quer dizer que seus posicionamentos não sirvam profundamente à ascensão do conservadorismo. A extrema esquerda cresce, mas quem ganha força de fato é a extrema direita. Sanders tá fora. Dilma foi tirada por uma máfia de corruptos, Podemos foi um fracasso na Espanha e é inegável que o Brexit serve muito ao nacionalismo inglês.

  • Highlander

    Parabéns pelo programa! Queria acrescentar os questionamentos quanto ao resultado do próprio referendo. Parece que tem surgido um movimento de “arrependimento”. Vocês acham que é possível que o Reino Unido, por alguma forma que eu ainda não imagino qual seja, acabe não saindo da União Européia?

  • spike06

    O Brexti foi a vitória do povo contra o globalismo.
    A União Europeia é totalmente isolada do povo europeu, e não há nenhum poder real de supervisão a ela. É uma organização gerida por pessoas não eleitas. Quantos sabem quem é Jean-Claude Juncker? E o que ele faz? Quantos outros burocratas, na Comissão Europeia, no Conselho Europeu, no Parlamento Europeu ou no Tribunal de Justiça da União Europeia decidem políticas que afetam a vida do cidadão comum, mesmo sem ter recebido um único voto?
    Nigel Farage (que é um bonachão, populista, babacão, eu sei, eu sei), falou umas boas verdades aos homens de Bruxelas em 2010:

    Esse sentimento de interferência supranacional não foi questionado pela mídia brasileira, que é fundamentalmente esquerdista (TODOS os analistas de política internacional viram com ressalvas a decisão). Aliás, o nó na cabeça da esquerda está incrível; outrora eram contra a globalização, agora falam que conservar valores nacionais é “retrocesso” e “retorno à Idade Média”. O livre-comércio é um meio de integração entre os povos, mas a UE não promove apenas o livre-comércio, promove a dissolução de culturas e de identidades nacionais. As pessoas não estão dispostas a perder isso.
    “A vontade popular é boa”, diz o esquerdista, mas somente quando essa vontade se alinha com sua ideologia. E no seu ímpeto antidemocrático, de achar que sabe o que é melhor para todo o mundo, a esquerda já pensa em meios de impedir a concretização do Brexit, como mostra o artigo abaixo. É o perigo da tirania travestida de “tolerância” e “boa vontade”.

    http://www.nationalreview.com/article/437216/brexit-referendum-uk-eu-sympathizers-try-prevent-withdrawal