NBW 049 – TEMER NELES 08/02/2015

Michel-Temer

A gente bem que gostaria de falar sobre outro assunto. Mas a verdade é que a situação da presidenta está complicadíssima. E vários de vocês, ilustríssimos ouvintes, são favoráveis ao tal do impeachment.

Nós três integrantes do NBW temos calafrios só de ouvir falar essa palavra. Não votamos na Dilma, não estamos felizes com a atual situação do Brasil e não acreditamos que ela fará um bom segundo mandato, infelizmente.

Mas também não apoiamos esta oposição que está aí, e MUITO menos queremos ver o Michel Temer assumindo o controle do Palácio do Planalto. Nem Renan Calheiros. Nem Eduardo Cunha. Nem Ricardo Lewandowski.

Vale ressaltar que, sob nenhuma hipótese democrática, Aécio Neves será presidente do Brasil antes de outra eleição. Eu sei, é óbvio dizer isso. Entretanto, acredite, tem muita gente que se esqueceu das consequências práticas de um impeachment.

Essa é a edição monotemática do NBW, que está de volta depois de um longo e tenebroso inverno.

Divirta-se!

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22 COMENTÁRIOS

  1. Gostei, acho que é golpe este movimento, NÃO SOU PETISTA, e pesquisei o Eduardo Cunha “credo”, fique registrado sou cristão protestante.

  2. Que bom que voltaram, o NBW é um podcast que faz muita falta porque é único aqui no Brasil.

    Sobre a questão do Impeachment, tenho poucas esperanças que aconteça, mas vejo os seguintes cenários possíveis:
    – Dilma só sofrerá impeachment se o PMDB realmente quiser, e como eles estão envolvidos nos esquemas de corrupção é improvável – Fica tudo como está;
    – PMDB se levanta contra Dilma para o impeachment, mas apenas com a palavra da oposição de que irão se safar – Temer presidente;

    – PMDB se levanta contra Dilma para o impeachment, tem a palavra da oposição, mas é traído e cai junto com Dilma – Novas eleições presidenciais;
    – Dilma e Temer sofrem impeachment, novas eleições presidenciais são convocadas, PT lança o Lula como candidato, o messias é eleito novamente.

    Abraço!

    • Valeu, Matheus!

      O PMDB é imprevisível mesmo. E também acho que a bola está pingando na quadra deles pelo fato do pedido de impeachment precisar de apoio de dois terços do Congresso em ambas as casas. Por mais que a chapa esteja quente pra Dilma, acho pouco provável que isso ocorra.

      Só me estranha muito a ausência da militância do PT nesta hora. Esse pessoal sempre foi bastante atuante – e isso não quer dizer que eu concorde com a atuação deles. Mas só tenho visto a Dilma levando pedrada sem a militância reagir, de fato. Talvez o perigo more ai…

      Abração!

    • Lula com a queda de Dilma + PT não volta.
      Acredito que o movimento é bom desde a últimas eleições. Está notório o maior interesse de muitos brasileiros, principalmente jovens, no protagonismo histórico e político do Brasil.
      Gostaria de ver o impeachment da Dilma. O que o PT fez e faz está tornando Collor menos que um “anão do orçamento”. Esse movimento também se faz necessário para que a classe política, assim como em 2013, pare e preste atenção no povo.
      Acho difícil, mas se a mobilização for como em 2013 acho que tem chance de ter essa dança das cadeiras.

  3. Caros Senhores da Guerra, estou comentando atrasado, mas vocês estão sem moral para me criticar, hehehe.
    Penso que o que temos no Brasil (e no mundo) é uma dificuldade enorme para diagnosticar corretamente os problemas, e a conseqüência disso é a implementação de “soluções” que ou não resolvem nada ou ainda agravam a situação.
    A proposta de financiamento público de campanha, na minha opinião, é uma dessas soluções.
    O maior problema que temos com relação às campanhas eleitorais é o Caixa 2, é a origem ou a causa de quase todos os escândalos de corrupção na história nacional recente.
    E esse problema tende a piorar com a proibição completa de financiamento privado, com o agravante que os grupos políticos da situação terão infinitamente mais capacidade de arrecadar esse tipo de recurso, causando um desequilíbrio maior ainda entre situação e oposição.
    Outra dificuldade, além do peso extra sobre o tesouro, é a regra para destinação do financiamento público que, considerando nosso sistema partidário, só serviria para aumentar fisiologismos já que grande parte disso já está presente por causa do financiamento público que temos hoje e que custa aos cofres públicos (só o horário eleitoral suga quase R$ 1 bilhão de reais do tesouro).
    Mas vamos ao diagnóstico: porque os políticos acham que vale a pena gastar tanto dinheiro em uma campanha eleitoral e porque os empresários contribuem com valores tão elevados? Porque compensa, porque tem retorno.
    Só vamos conseguir baixar o custo de uma campanha eleitoral quando fizermos uma reforma política que limite o tamanho e o poder do estado, que tire grande parte da autonomia do Governo Federal e volte a dar poder econômico e político real aos municípios e, em menor grau, aos Estados (decentralização) e que opte por sistemas eleitorais mais regionais (como o voto distrital).
    Nesse cenário, não há problema nenhum com financiamento privado de campanha pois o apoio seria mais ideológico que fisiológico, visto que os eleitos não teriam à sua disposição tantos mecanismos de intervenção e controle que são sempre a origem da corrupção estatal.
    Outro benefício dessas reformas seria um aumento da concorrência entre as empresas, já que o estado não teria mais como proteger alguns em detrimento de outros, o que seria extremamente benéfico ao consumidor e ao desenvolvimento do país globalmente.
    É claro que essas reformas não partirão da classe política atual pois teriam de cortar na própria carne, mas tenho esperança de conseguirmos, a médio prazo, mobilizar uma parcela significativa da sociedade para fazer essas cobranças.
    E, só para não deixar passar, penso que o impeachment da Dilma não deve ser analisado à luz de “quem vai assumir” ou “quanto a Bovespa vai cair ou o dólar subir”. É uma questão de justiça, de princípios e de respeito às leis e está mais do que na hora do Brasil começar a agir com base nisso.
    Abraços.

    • Oi, Karl! Obrigado pelo comentário. Acho que você está no ponto certo quando fala sobre uma reforma política muito maior, incluindo voto distrital, a atuação do governo federal e também o financiamento de campanha. Já tive opiniões bem divergentes sobre o financiamento público, mas hoje acho que é a melhor alternativa porque não consigo imaginar um cenário em que o capital vai investir por ideologia. Isso não existe em nenhum cenário hoje. A Lei Rouanet está ai para confirmar isso.

      Também não acredito que essa legislatura tenha condição de fazer alguma coisa. Por isso, a ideia de uma constituinte específica merece ser discutida também.

      Quanto ao impeachment, claro que é uma questão de justiça e de respeito às leis. E como nenhuma acusação real foi apresentada contra a Dilma, continuo achando que esse é um tema totalmente descabido.

      Abração!

      • Olá, Ulisses. Que vontade de voltar a Londres!
        Meu argumento não é que o financiamento público é insuficiente para resolver os problemas. Na minha opinião ele vem a agravar a situação porque o capital ainda vai continuar tendo muita influência política, só que completamente na surdina, já que todas as contribuições serão por Caixa 2. E além disso as campanhas vão onerar o bolso do contribuinte em uma medida muito maior do que faz hoje e em uma situação de fragilidade das contas públicas.
        A comparação com a Lei Rouanet é infeliz pois nessa os artistas ou entidades precisam convencer empresas ou pessoas físicas a passarem parte do imposto devido por elas às suas causas enquanto o dinheiro de campanha seria distribuído seguindo qualquer critério de composição de bancada ou número de votos, o que sempre beneficiaria os mais fortes a se manterem no poder.
        Quanto ao impeachment, não acho que seja descabido discutir a improbidade administrativa de uma presidente que, na melhor das hipóteses, assistiu, sem fazer nada, o afundamento financeiro e moral da maior empresa pública brasileira, tendo sido, antes, ministra das Ministra responsável pela área e presidente do seu Conselho Administrativo.
        Talvez tenhamos que concordar em discordar a respeito desses temas.

        • A libra disparou, Karl. Talvez não seja a hora de voltar hahahaha

          Eu entendi o seu ponto. Mas acho que não dá pra descartar o financiamento público por causa da ameaça de caixa 2. Até porque do jeito que está hoje fica bem mais difícil de detectar onde há ou não caixa dois. Por exemplo, se só existisse o financiamento público e a gente soubesse exatamente quanto o PT recebeu pra fazer a sua campanha, digamos 50 milhões de reais. Dá pra notar se a campanha que eles estão fazendo nas ruas ou na televisão estiver custando 150 milhões. Porque a imprensa tem como apurar quanto custa um filme para o horário eleitoral, cavalete na rua, bandeiras, etc. Agora, é claro que antes de discutir isso a gente tem que discutir essa legislação ridícula que permite quase 40 partidos tendo acesso ao fundo partidário.

          Sobre a Lei Rouanet, o que quis dizer é que ela é um exemplo que as empresas só investem no que dá retorno. Veja quantos e quantos bons projetos são aprovados pela ANCINE e nunca conseguem financiamento das empresas. Porque elas só querem saber dos projetos grandes que darão exposição, entenda-se Globo Filmes. Dá pra culpar as empresas? Não! Isso é o capital. Nunca um empresário vai trabalhar para o bem coletivo. Essa não é a premissa do sistema. Cabe ao governo evitar esse tipo de anomalia.

          Desculpa, derrubar um presidente porque na melhor das hipóteses assistiu sem fazer nada o afundamento da Petrobras pra mim não é razoável. Então vamos discutir o impeachment do Alckmin pela negligência na crise hídrica? Acho que se a Dilma foi acusada de envolvimento em corrupção, dai sim teremos um caso para discutir impeachment. Mas isso não aconteceu até agora. Nenhum delator do caso imputou o nome dela.

          O Lula esteve muito mais perto do mensalão do que ela da Petrobras e não houve essa comoção toda falando em impeachment.

          • Caixa 2 não é ameaça, é realidade, mas sem dúvida vai aumentar se travar as doações legais. Esse método para apurar caixa 2 funciona da mesma forma pois é sabido o volume de doaçao legal. O que estou dizendo é que o financiamento público nesse momento não resolve problema nenhum pois os problemas do sistema eleitoral brasileiro, diferentemente do americano, não são de influência política crescente do capital, mas do uso dos recursos públicos para financiar projetos de poder. Não estou isentando as empreiteiras da culpa porém penso que o foco é político e ideológico no Brasil, não econômico.
            Na época do mensalão fiz muita campanha para iniciar o processo de impeachment do Lula (e faria ainda hoje) e a roubalheira descarada da Petrobras sem dúvida merece esse processo pois se trata de corrupção claramente política e só não foram citados os corruptos eleitos por causa da escolha do juiz.
            Já a situação hídrica de São Paulo bem como a situação energética do país são exemplos de péssimo planejamento que devem ser sim criticados com veemência e punidos nas urnas, mas não podem ser comparados com o mensalão ou o petrolão de forma alguma.

  4. Pessoal, é ótimo que tenham voltado com o podcast, gostaria de destacar dois links em relação ao tema impeachment.

    O primeiro:

    “O parecer do jurista Ives Gandra que aponta a possibilidade jurídica de impeachment da presidente Dilma Rousseff foi rebatido por Lenio Streck, ex-procurador de Justiça, professor e advogado; Marcelo Cattoni, doutor em Direito e professor da UFMG; e Martonio Mont’Alverne Barreto Lima, doutor em Direito e professor da Unifor-CE.

    Em artigo enviado à revista eletrônica Consultor Jurídico, eles apontam que a tese defendida por Gandra usa elementos jurídicos para justificar uma decisão política, o que criaria um “curto-circuito entre Direito e política no plano constitucional”. O artigo cita ainda o ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal Moreira Alves, segundo quem “um processo deimpeachment não é o espaço onde tudo é possível”.
    http://www.conjur.com.br/2015-fev-04/nao-elemento-juridico-impeachment-dilma-dizem-advogados

    E o segundo:

    “ÉPOCA – Eduardo Cunha pode aceitar um pedido de impeachment de Dilma?Nobre – Não interessa a ele o impeachment da Dilma. O Cunha está com a faca e o queijo na mão. Ele quer que o governo atenda a suas demandas e de sua bancada, que é enorme e passa por todos os partidos. Qual seria a vantagem de tirar uma presidente que ele tem condições de pressionar? Não há nenhuma. Quando você aceita o processo de impeachment, você perde o controle, porque se torna uma disputa política que abrange toda a sociedade. A melhor coisa do mundo é ficar com essa espada na cabeça da Dilma o tempo inteiro.

    ÉPOCA – Por que o governo resolveu partir para o confronto com Eduardo Cunha, se a derrota era anunciada? O PT ficou até sem representantes na Mesa da Câmara?
    Nobre – O governo, como tal, não partiu para esse confronto. Foram setores do PT. Havia a posição do Lula, que era fazer um acordo com o Eduardo Cunha lá atrás – e ele foi ignorado. Isso significa que a posição do Lula no governo se fortaleceu. Agora, ele está dizendo: “Eu avisei, e mesmo assim vocês partiram para uma operação suicida”. O PT está entrando num momento muito difícil do ponto de vista da identidade do partido. Ele será responsável por um governo que vai operar a reboque do PMDB. Teremos uma situação em que a presidente é a Dilma, mas quem tomará as decisões finais, do ponto de vista político, é esse novo PMDB, tendo como satélites todos esses pequenos partidos. Não será um governo liderado pelo PT, apesar de a presidente ser do PT. Isso está provocando uma crise enorme dentro do partido e divisões internas. Isso é muito grave.”

    http://epoca.globo.com/tempo/noticia/2015/02/bmarcos-nobreb-o-pt-nao-lidera-mais-o-governo.html

    E só para fechar, estou escutando todos os podcast desde o primeiro e no numero 18, você Ulisses Neto correspondente da Radio Jovem Pan em Londres(sim, eu escuto a jovem pan as 6 da manhã) disse que o Pizzolato não seria extraditado. Canelada!

    Abraço para todos do podcast.

    • Olá, AJ! Obrigado pelo comentário! Eu não tinha lido esse parecer que você colocou aqui, bem interessante! Sobre o Eduardo Cunha, essa posição corrobora com o que a gente tinha dito. O fisiologismo ganhou e não vai abrir mão da mamata colocando a Dilma pra correr. Não mesmo! Só não sabia que o Lula defendia um entendimento com o Eduardo Cunha antes da eleição na Câmara.

      Sobre a canelada, faz parte do jogo… Lembrando que ele ainda não foi extraditado, mas ao que tudo indica deve ser. Se não o for, será por uma decisão política bem parecida com o caso Battisti. De qualquer forma, quero estar errado nessa, assim como em tantas outras!

      Obrigado pela audiência no Jornal da Manhã! Também entro no ar às 9h com a Rachel Sheherazade, Joseval Peixoto e Marco Antonio Villa. Uma guinada à direita daquelas!

      Se você está ouvindo os episódios antigos do NBW certamente vai flagrar o André Pontes falando mal do Eduardo Campos e, adivinhe só, Andrezão trabalhou para o ex-governador na campanha passada! Eu, que já era fã antigo do EC (Barata e André não me deixam mentir… sozinho) fui convidado pelo André para trabalhar na mesma campanha. E esse mesmo eu, que não era nem um pouco fã da Marina Silva, acabou trabalhando para a ex-senadora depois de todos os episódios que você já conhece muito bem. Como se não bastasse, segui a Marina Brasil afora por alguns meses e a ouvi discursar incontáveis vezes! Acabei mudando radicalmente de opinião em vários aspectos. Em outros nem tanto.

      Por tudo isso, reforço o que disse na última edição do NBW e em outras ocasiões também. O receptor da mensagem – no caso você – é o responsável por filtrar o que escuta/lê/assiste. Porque nós, jornalistas, somos todos enviesados em algum grau. às vezes mudamos de ideia mesmo. às vezes somos forçados a isso… Mas, com certeza, você está ligado!

      Abração

      • Que bom que tenha gostado do meu post Ulisses. E sobre as caneladas e mudanças de opiniões, pode ficar tranquilo que eu sei que é normal. Em relação a esse time das 9 horas, o único que presta é o Marco Antonio Villa. Uma outra coisa que eu reparei escutando o nbw é que você é de santos, veja só, eu sou do guarujá.
        Abração

        • Sim, sou de Santos! Cresci no Gonzaga, ao lado do Parque Balneário. Nem preciso dizer que o Guarujá faz parte da minha história. Impossível dizer quantas vezes usei a balsa de bicicleta pra ir à praia, ou à noite pra ir pra balada hahahahaha! Minha família ainda mora em Santos, então vire e mexe estou na Baixada. Abração!

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