NBW 050 – LAVA TUDO 18/02/2015

HSBC-allowed-money-laundering

Acabou a folia, portanto, voltemos a falar do que interessa: o futuro político da nação. No capítulo 050 do NBW seguimos com o debate sobre reforma política, impeachment e lavagem de dinheiro.

Que, aliás, ganhou contornos muito mais charmosos e glamurosos com a revelação de que o HSBC, maior banco da Inglaterra, segundo maior do planeta, usava sua filial na Suíça para operações nada recomendáveis.

Gravamos antes do Carnaval, mas publicamos na quarta de cinzas para não estragar a festa de ninguém com assuntos tão deprimentes como esse.

E fiquem espertos porque daqui a pouco vamos publicar uma edição extra com a participação especial de Karl Milla!

Abraços!

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17 COMENTÁRIOS

  1. A respeito do liberalismo que muitos querem HSBC é realmente um exemplo do que pode acontecer se não existir um balance, outro exemplo da falta de governo foi na era Bush quando os bancos fizeram o que queriam com o mercado financeiro mais em particular com os créditos imobiliarios levando a uma das maiores crises financeiras da história detalhe que ainda assombra muitos estados aqui nos EUA a Flórida ainda tem muitos casos sem solução

    • Ricardo, discordo respeitosamente de sua opinião. O caso HSBC citei no meu comentário acima e a crise de 2008 teve origem na política monetária de juros do Federal Reserve (agente externo) nos anos que antecedem a crise, o que, em resumo, deixou muito dinheiro barato disponível artificialmente, permitindo a criação da bolha (ver ótimo artigo do Wall Street Journal em 2009: http://www.wsj.com/articles/SB123414310280561945).

  2. Também concordo, Ricardo. Eu realmente recomendo o documentário Bitter Lake do Adam Curtis. Embora seja sobre o Afeganistão, ele traça um paralelo interessante sobre o poder que o Estado transmite aos bancos e os resultados desastrosos que isso traz para a sociedade.

  3. Gostaria de çpedir que me informassem os links dos audios que constam do inicio do podcast opnde existem duas opiniões diferentes sobre o impeachment, pois gostaria de ouvi-los na íntegra.

  4. Olá, amigos! Que alegria ver dois episódios em um mês após tantos meses(acho) sem episódios.
    Não tenho nada a comentar sobre o assunto pois, apesar de o programa ter sido muito bom . Mas queria agradecer a indicação do VIrunga. Ví semana passada e achei incrível. Apesar de ter achado que faltou trabalharem a politicagem que sustenta o próprio parque e aquele europeu que comanda o lugar. Mas ainda assim, com tão pouca coisa sobre a África valeu muito a pena ter visto.
    No mais comentando apenas para sentirem-se apreciados, ahah.
    Um abraço!

  5. Caros Senhores da Guerra,
    A frase minha que o Ulisses criticou foi:
    “Nesse cenário [de um estado muito reduzido], não há problema nenhum com financiamento privado de campanha pois o apoio seria mais ideológico que fisiológico, visto que os eleitos não teriam à sua disposição tantos mecanismos de intervenção e controle que são sempre a origem da corrupção estatal.”
    A lógica é que em um cenário onde o poder intervencionista do Estado é quase nulo, não há como políticos beneficiarem determinadas empresas ou grupos e assim não haveria incentivo para doações de campanha por interesses escusos. Logo qualquer financiamento privado seria obviamente ideológico.
    Mantendo o modelo centralizador atual não se eliminam os incentivos ao financiamento de campanha privado. Portanto, tornando o ilegal, o único resultado que se obtém é que a demanda será suprida no mercado negro informal, ou seja, caixa 2.
    É psicologia básica. É necessário mudar os incentivos para termos resultados diferentes.

    • Carl, o estado deve proteger recursos de bem comum. Uma industria que gera bastante lucro poluindo nao poderia impossibilitar ações governamentais contra poluição? Não cairiamos na tragedia dos comuns?

      • Primeiro é necessário definirmos o que são “recursos de bem comum”. Pelo exemplo que você cita, suponho que esteja se referindo ao meio ambiente nesse caso. Temos, então, para simplificar, duas opções: deixar o estado regular o uso do “meio ambiente” ou deixar isso na mão da iniciativa privada.
        Mas “meio ambiente” é um termo bastante abrangente.
        Vamos usar como exemplo os rios de São Paulo, Tietê e Pinheiros. Segundo o seu argumento, é muito melhor eles estarem na mão do estado.
        Digamos porém que eles fossem privatizados e o empresário que ficasse responsável por eles pudesse dispor de suas águas como bem entender. Não seria do seu interesse manter a água o mais limpa possível a fim de vendê-lá para o consumo ou para a irrigação? Não seria igualmente do seu interesse a manutenção constante do seu fluxo a fim de garantir uma rentabilidade mais estável? Isso pode ser visto no vídeo “Como o mercado pode manter os rios correndo” (https://www.ted.com/talks/rob_harmon_how_the_market_can_keep_streams_flowing)
        A “Tragédia dos Comuns” ocorre quando se permite o uso indiscriminado de um bem limitado e, na minha experiência, isso acontece com muito mais frequência (alguns diriam sempre) quando o bem em questão é público. Exemplos não faltam e os próprios Tietê e Pinheiros ilustram isso hoje.
        Segue uma pequena provocacao: se a água que abastece São Paulo fosse fornecida por empresas privadas, será que teria faltado investimento? Será que estaria faltando água? Claro, ela poderia estar mais cara, assim como o tomate sobe na escassez, o que só racionaliza ainda mais o seu uso é permite mais investimentos .
        Mas, indo um pouco mais além, cito um exemplo que conheço de perto. Muitos no Brasil acreditam que a terra deveria ser um bem comum e que todos os agricultores deveríamos ser desapropriados com base nesse entendimento.
        Você consegue imaginar a produção agrícola do Brasil nas mãos de INCRA, MST e afins?
        E não tenha dúvidas de que cada agricultor se preocupa muito mais com o meio ambiente do que qualquer trabalhador urbano pelo simples fato de seu sustento a longo prazo depender diretamente da sustentabilidade de suas ações.
        Tentei resumir ao máximo para nutrir a discussão,mas isso é assunto para livros…
        Grande abraço.

        • A visão que coloquei acima é bastante libertária. Penso que é possível um meio termo em que o Estado regulamente certas atividades, por exemplo definindo padrões de emissão de gases e/ou efluentes e fiscalizando seu cumprimento.
          Para tanto, porém, precisaríamos de um estado muito mais eficiente e enxuto. E “estatismo” e “eficiência” raramente andam juntos, especialmente no Brasil.
          Quando defendo a redução do poder intervencionista do Estado, me refiro muito mais à sua capacidade de beneficiar diretamente certas empresas ou setores através de direcionamento de financiamentos, de licitações fraudulentas, de desoneração tributária que beneficia os amigos do rei, da manipulação de juros, taxas, índices por interesses escusos, etc.

          • Fala Sr Carl! Não era bem um argumento e mais uma pergunta mesmo… Mesmo porque eu não sei se realmente estaria melhor na mão do Estado ou não. Eu gostaria mto de ver o Brasil caminhando para um Estado menor com foco em eficiencia! Tambem não estou casado com os modelos estabelecidos de instituições publicas, adoraria ver mais experiencias neste lado.

            Acho que as caipirinhas de ontem não contribuiram para eloquencia da minha pergunta… rs….

            O que eu estava querendo indagar era sobre financiamento privado. Setores diferentes tem rentabildade e fluxo de capital diferentes, isto não causaria desbalanço representativo? Eu devo estar usando os termos errados nos contextos errados, mas se vc entender esta blz! : )

          • Agora entendi o seu questionamento, Dr. Barata.
            Por menor que seja o tamanho e o poder do Estado, seus agentes sempre estarão sujeitos a sofrerem influência externa e a separação entre os poderes é uma das formas de diminuir esse potencial de influência, mas que no Brasil acaba não funcionando bem pois nossa constituição atribui ao executivo federal poderes desproporcionalmente maiores, causando um desequilíbrio perigoso.
            Para combater esse tipo de problema penso que é preciso uma descentralização da estrutura federativa, atribuindo mais responsabilidade e mais poder fiscalizatório e decisório aos municípios e estados. O “accountability” político precisa estar próximo ao cidadão em termos geográficos e eleitorais.
            Seria necessário também estruturar melhor o poder judiciário para que esses crimes de influência sejam identificados e punidos rapidamente.
            Mas sempre que existir um agente público com algum poder, existirá pressão sobre ele para o bem e para o mal. E meu argumento tem sido esse: quanto menor o poder desse agente, menor o estrago que ele poderá causar. Políticos corruptos sempre existirão e forças corruptoras também. As duas frentes eficientes de contenção de danos são:
            1- restringir os poderes de políticos para limitar os danos potenciais.
            2- punir de forma rápida corruptos e corruptores.

          • Olá!

            Só corrigindo uma coisa: não é apenas o executivo federal que tem um poder desproporcional
            Os executivos estaduais e municipais também atuam praticamente como poderes únicos.
            Governadores, e a maioria dos prefeitos, sabem muito bem que se o poder do presidente for diminuído, o deles também poderá sofrer diminuição.

            abraço

  6. Caros Senhores da Guerra,

    Vamos botar uma pitada de economia nesse caldo político.

    Usar o caso HSBC como argumento a favor de mais controle e poder do Estado é um grande equívoco de diagnóstico pois as atividades legais do banco fazem parte do jogo tributário internacional e as atividades ilegais, por óbvio, já estão previstas na legislação de cada país e devem ser punidas adequadamente.

    Aliás, se há um argumento a ser feito aqui é justamente o oposto. Comprovadamente os grandes clientes corruptos que o HSBC auxiliou, sejam eles políticos ou empresários, amealharam a grana através de suas conexões com seus respectivos Estados.

    Engana-se redondamente quem acha que o liberalismo econômico e o capitalismo puro são os modelos preferidos pelo empresariado mundo afora. É muito mais difícil sobreviver e ter lucro em um ambiente que beneficia a livre concorrência e onde o consumidor é completamente livre para escolher. Qualquer empresário sincero poderá confirmar que é muito mais fácil trabalhar em um ambiente econômico altamente regulamentado e com grande intervenção estatal pois por um lado está protegido de concorrentes pelo alto custo que a regulamentação impõe a novas empresas e por outro podem contar com intervenções políticas sempre que surgirem dificuldades, sempre com a desculpa de manter empregos ou estimular a economia (ex. IPI zero).

    O liberalismo é o modelo que coloca o poder na mão de nós, consumidores, e também é o que mais dá oportunidades a novos empreendedores se destacarem e crescerem em qualquer mercado pois não permite o surgimento de barreiras artificiais. Porém é também o que mais poder tira da classe política, um dos fatores por não ser mais amplamente adotado no mundo. Na verdade os Estados Unidos começaram como uma nação extremamente liberal, com um governo federal de poder muito restrito, mas caminha a passos largos no sentido da centralização justamente pela constante pressão por mais poder exercida pela classe política.

    E na esteira dessa pressão política centralizadora vêm todas as medidas socializantes e populistas que estrangulam lentamente a liberdade individual elevando inexoravelmente a carga tributária, engessando a livre negociação, impondo regras e regulamentações que são vendidas como boas para o consumidor, mas que ao final protegem somente empresas e grupos amigos do poder.

    Sei que o assunto é polêmico, mas minha pretensão não é fazer uma pregação e converter alguém. Não se trata de fé, e sim de argumentos lógicos que podem e devem ser discutidos e é isso que eu estou propondo aqui. Cheguei à minha posição através de leitura e reflexões e estou convicto que estou no caminho certo, mas estou aberto a contra-argumentos, desde que pautados na lógica e no respeito.

    Alguém topa?

    • Excelente seu ponto sobre liberalismo Karl, mas não sei se tanto liberalismo assim seria um ambiente bom, pelo menos na minha opinião. Na minha visão, o estado tem que regular o básico pelo menos, o que entraria nesta questão do HSBC. Mas, concordo que ainda prefiro um liberalismo total do que este estado intervencionista que temos hoje em dia. O problema é pra quem está no poder largar o osso. Rs…

      Abraços!

  7. Caros amigos

    Excelente programa como sempre! Interessante esta questão do HSBC e do suposto desvio do dinheiro. Lembro do caso do U2 que um tempo atrás decidiu não pagar os impostos na Inglaterra e deu uma polêmica também. Como sempre, pra quem tem dinheiro é tudo mais fácil…

    Obrigado como sempre, abraços!

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